A formatura, para muitos, é o momento mais importante da carreira estudantil, pois se conclui a etapa de preparação e iniciar a fase adulta em que se é dono do próprio nariz. Ganha-se a condição de pagar suas próprias contas. Mas, é preciso cuidado para não enfrentar, após a fase da luta pelo diploma, a corrida para pagar as dívidas. Financeiramente, o período universitário é mais delicado para quem já mora sozinho ou estuda em instituições privadas com financiamento do Fies.

Três em cada dez alunos do ensino superior privado têm algum tipo de bolsa ou benefício que os isentam do pagamento de mensalidade, segundo dados do Censo da Educação Superior 2009. Divulgado no início do mês pelo MEC, o estudo revela que 82,5% deles recebem benefícios reembolsáveis, fator que fortalece o mercado de crédito educativo, especialmente na iniciativa privada.

Atento a este público, o Instituto DSOP, de São Paulo, fornece pela internet uma série de orientações. Responsável pelo DSOP, o educador financeiro Reinaldo Domingos aponta o diagnóstico como passo inicial para quem quer resolver  suas dificuldades financeiras. “É preciso saber para onde vai cada centavo gasto num intervalo de três meses”, orienta ele, para quem um item essencial no controle do orçamento pessoal são as pequenas despesas – pagamentos pequenos feitos diversas vezes durante o mês.

O educador financeiro considera ainda o custeio das baladas um elemento a ser reduzido.”Quem economiza R$ 30 por final de semana, em três anos isso significa R$ 45 mil”, argumenta. Para Domingos, para a redução de despesas ser possível, a pessoa precisa ter um sonho – terminar a faculdade. “Se o jovem não tiver sonho, não poderá fazer opções”, conclui.

Fies ou financiamento privado são opções
Hoje em dia, cerca de 500 mil estudantes universitários consegue bolsa pelo programa federal Prouni. Quem não foi inserido no  Prouni pode recorrer ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies) ou a créditos privados. No Fies, o empréstimo só começa a ser pago após a conclusão do curso.  Também é concedido a beneficiados do Prouni, arcando com metade do custo da graduação.

Para candidatar-se ao Fies os estudantes devem estar regularmente matriculados em instituições de ensino não gratuitas cadastradas no programa, em cursos com avaliação positiva no Sianes. O Fies tem uma taxa de juros de 3,4% ao ano e o pagamento da dívida é feito em um prazo de até três vezes o tempo do curso superior feito mais 12 meses, com um ano e meio de carência após a formatura do aluno.  As condições são oferecidas tanto na Caixa como no Banco do Brasil.

Um estudo da consultoria Ideal Invest, que oferece o crédito universitário PraValer, estima que existam hoje no país cerca de 4,5 milhões de jovens que desejam cursar a graduação, mas não têm como pagar as mensalidades. Esta massa é composta por trabalhadores das classes C e D, que possuem renda familiar entre R$ 1.400 e R$ 4.500 e, em função de circunstâncias familiares, não têm como arcar sequer com as mensalidades mais modestas, de R$ 200 ou R$ 300. Para este público, as atuais regras do Fies, por mais generosas que pareçam, ainda são um obstáculo intransponível.

No Pravaler, não há limite de vagas, e o aluno pode pagar ainda na graduação. Na prática, o financiado conta com um ano para reembolsar cada semestre: Exemplo, a cada seis meses de uma mensalidade de R$ 500, no Pravaler o estudante  desembolsaria 12 parcelas de R$ 256. Os juros variam de 0% a 1,89%. No financiamento privado, a pessoa não precisa provar incapacidade de renda para pagar com recursos próprios.

O Banco Santander firmou parcerias com dez universidades privadas, como a Escola Superior de Propaganda e Marketing e o Centro Universitário de Brasília (Uniceub). O valor do financiamento é de quase 50% da matrícula. Na metade final do curso, o estudante pode assumir uma parcela maior (cerca de 70%). O final é pago depois da formatura, num prazo igual ao período estudado. Se ficar inadimplente durante a graduação, pode permanecer estudando somente mais um semestre.

Os bancos Itaú e Bradesco oferecem financiamentos semelhantes. Segundo Reinaldo Domingos, regra geral o financiamento estudantil de insitituição pública é preferível. “Os juros são razoáveis, de 3,4% ao ano. O financiamento  é privado, só é vantajoso se os juros forem de até 5% ao ano. Mais do que isso pode comprometer o orçamento da família”, avalia. “Saber das oportunidades de crédito que o mercado oferece é fazer escolhas que atendam nossas necessidades e também está dentro dos conceitos da educação, disciplina esta de vital importância para obtermos a saúde financeira”.

Desconto negociado
Para a secretária executiva Florisdalva Fonseca, o Fies representa um problema depois de terminado o curso. Segundo ela – quem se formou em 2003 e pagará o financiamento até 2013 – o pagamento durante a graduação é pequeno, mas depois da formatura a situação complica porque não é todo mundo que está estabilizado na carreira após 18 meses de formado para poder pagar o Fies.

“O pagamento do Fies é sagrado, porque tem o fiador, que é muito difícil de achar. Essa pessoa confiou em você e a gente não quer desapontar uma pessoa dessa”, disse.  A seu ver, o melhor caminho é negociar um desconto e tentar pagar a graduação com recursos próprios. Ela destaca o longo tempo para pagar. “Quando a gente faz o Fies, acha ótimo. Mas depois vê as dificuldades”.

Se não for possível, ela endossa a importância do estágio que, além de garantir um recurso ao orçamento, abre mais possibilidades de uma posição melhor após a formatura. Para Florisdalva Fonseca,  o início profissional no estágio é importante para acelerar o amadurecimento profissional. “Não tem jeito, essa maturidade só vem com o tempo. Eu demorei de três a quatro anos para me estabilizar”.

Outras dicas do DSOP
1. Em função do grande número de texto para ler, é interessante formar um grupo de estudos com colegas compartilhando textos, uma cópia de cada texto será suficiente para vários alunos, mas é importante que todos tenham o mesmo ritmo, para que não haja confusões. Também é importante utilizar as bibliotecas;

2. Sobre transporte, sempre existem os passes estudantis, utilize os transportes públicos. Se isso não for possível, busque revezar ou dividir carro com o maior número de pessoas possíveis;

3. Busque sempre ter uma reserva no fim do mês, são frequentes imprevistos que podem fazer com que tenha que parar com o curso por falta de dinheiro;

4. Caso não trabalhe, é a hora de buscar um estágio remunerado, além de ser bom para o currículo, o dinheiro que recebe poderá ser utilizado para reduzir os custos de sua família com a mensalidade ou outros gastos, e para que você comece realmente a conquistar sua independência;

5. Se for morar fora, busque morar em repúblicas com pessoas que tenha as mesmas condições financeiras que você e com um aluguel mais baixo possível, faculdade não é fase de status e sim de estudo;

6.
Evite comer fora com frequência, cozinhar é uma solução econômica e relaxante, também existe a possibilidade de levar lanchinhos em vasilhas ou mesmo os lanches naturais;

7. Por mais que a saudade dos familiares seja grande, a universidade é um momento de conquistar seu espaço, assim, não é necessário viajar todo o fim de semana, nem telefonar todo dia, mas, cuidado, ficar em outra cidade sozinho não é sinônimo de sair bagunçar e gastar.

 

Fonte: //www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=72097

 

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