O círculo vicioso do endividamento é familiar a muitos brasileiros, e tende a ficar mais evidente no início do ano, quando as despesas rotineiras –  somadas às sazonais, como o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA)  e a compra de material escolar, mais as dívidas herdadas do Natal – obrigam as pessoas a recorrerem a fontes extras de recursos, como cheque especial e cartão de crédito.

O economista Paulo Roberto de Sousa  se diz um homem feliz neste início de 2011, exatamente por ter rompido com esse ciclo. Ao longo dos últimos seis meses ele deixou a condição de devedor contumaz para se tornar um poupador – e, além disso, uma pessoa com sonhos definidos para curto, médio e longo prazos.

O ponto de partida foi um curso oferecido pela empresa de benefícios em que trabalha, a Qualicorp, por meio de parceria com o Instituto DSOP de Educação Financeira. As 16 horas de aula  o motivaram a adotar o método proposto pelo instituto, começando por anotar todos os gastos do mês em planilha, com colunas para o dia, o valor e a forma de pagamento da compra.

Ele percebeu, com as anotações, muitos gastos mensais direcionados para coisas que atualmente define como supérfluas. A lista incluía sessões semanais de cinema em shopping center, com direito a combos de refrigerante e pipocas, eventuais consumos na praça de alimentação e gastos com estacionamento. Tudo ao custo de pelo menos R$ 100 por final de semana. Fora as “besteiras” diárias, como gorjetas, cafés e doces em geral.

Planejamento
Também por sugestão do curso, Sousa definiu os seus sonhos de curto, médio e longo prazos. Para cada um deles estimou o respectivo custo; período desejado para realizá-lo; e montante a ser guardado para alcançar a meta.

Agora ele sabe que em 2012 vai se candidatar a vereador – o seu sonho de curto prazo. Para viabilizar parte da campanha, decidiu economizar R$ 30 mil até lá – e um terço desse valor foi reservado nos últimos seis meses.

A meta de médio prazo é comprar um carro; a casa própria ficou para a fase seguinte. E a preparação para a aposentadoria permeará todas as etapas do planejamento. A ideia é ter independência financeira para não precisar trabalhar a partir dos 60.

Todo o esforço da educação financeira propõe mudanças de hábitos. Souza garante que não deixou de fazer coisas prazerosas para migrar da condição de devedor para a de investidor. Mas racionalizou, por exemplo, os gastos em shopping centers. ” Agora só compro o que preciso. Posso ir ao cinema sem comprar o combo de refrigerante mais pipoca. No final do ano fiz o que queria”, exemplificou.  Além das roupas pessoais adquiridas, ele conseguiu presentear os familiares no Natal – um prazer que não cabia no seu orçamento há muito tempo.

“Não é que eu não adquirisse coisas. Comprei moto, laptop, roupas… mas estava sempre endividado. Eu rolava de 60% a 70% dos gastos mensais no cartão de crédito.”  Ele se recorda que, em alguns períodos da vida profissional iniciada aos 13 anos, até poupou algum dinheiro, mas não sabia o que faria com a reserva e se incomodava com a sensação de que os recursos estavam parados, sem um destino certo.

Desejos e prazos
“O sonho sempre foi o que me trouxe muito combustível. É a base da educação financeira”, afirmou o criador do método DSOP, Reinaldo Domingos. Ele próprio sempre estabeleceu, uma vez por ano, o sonho pessoal e o familiar a serem realizados a curto prazo (período de um ano), médio prazo (até dez anos), e longo prazo (acima de dez anos).

“Com essa definição, quando você faz o diagnóstico (a partir da anotação dos gastos), pode ver o que é mais importante. Se você ganha dez e o sonho custa dois, vai ter que adequar o padrão de vida aos oito”, recomendou o educador. Ele afirmou que até um casal com renda mensal de dois salários-mínimos terá condições básicas para comer, beber, vestir e pensar em poupar. “Se eles tiverem um filho, é preciso o dobro dessa renda para viabilizar uma poupança”, disse.

O diagnóstico financeiro, o sonho, a definição do orçamento e a poupança compõem os quatro pilares do método criado por Domingos, sintetizados na sigla DSOP que dá nome ao instituto. “Eu me tornei independente financeiramente aos 37 anos”, contou o executivo, também fundador da empresa de contabilidade Confirp, criada em 1986.

Segundo ele, o Instituto DSOP também opera fora do Brasil, com unidades licenciadas localizadas em Coimbra (Portugal) e no Japão.

 

Fonte://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=62263&canal=72