Sair de casa é sinônimo de independência, de não dar mais satisfação, de arrumar tudo, ou não arrumar nada, mas um outro fator deve ser levado em consideração: qual o custo deste novo estilo de vida? Segundo consultores financeiros, esta avaliação econômica deve ser o ponto mais forte na hora da decisão.

Para José Vieira Neto, sócio da consultoria financeira Proinvestiors, o momento propício é quando o jovem tem emprego e salário estáveis e percebe que é capaz de manter sua nova casa. “Considerar o custo da moradia, do transporte e da alimentação é básico”, orienta Neto.

O consultor lembra que não há um salário estipulado para sair de casa, mas que o gasto com moradia não deve ultrapassar 15% da renda. Neste tópico já devem estar inclusos o aluguel, condomínio e IPTU. “A escolha do imóvel é fundamental. E ele tem que lembrar que existem uma série de outros gastos”, reforça Neto.

Reinaldo Domingos, educador financeiro e presidente do Instituto DSOP, também orienta que o jovem observe o bairro para o qual se mudará. Domingos diz que é importante ir na vizinhança e fazer uma “pesquisa de campo mesmo”, anotando o preço do pão e de outras coisas que ele comprará no dia a dia. “Se for um bairro mais caro, tudo lá será mais caro também”, informa.

Todos estes gastos devem ser colocados em uma planilha e avaliados antes de sair da casa dos pais. Neto acrescenta que o supermercado não pode ultrapassar mais de 20% do orçamento e dá uma dica para o jovem fazer estas compras de três em três dias.

“Quando você faz o mercado de mês há um desperdício enorme. Já ele feito semanalmente, no máximo, o jovem vai ter a ideia de quanto gastará naquele espaço de tempo”, orienta. O transporte, os gastos com comunicação (celular, internet) e com lazer também precisam estar na planilha.

MUDANÇA
“Sai do 8 para o 80”, assim o jovem Roger Alban, 22 anos resumiu a sua nova vida , com a saída da casa dos pais, em Petrolina, para dividir um apartamento em Salvador. A mudança tem três meses, mas hoje Alban já se define uma pessoa com compromissos.

“Tive que ir para a ponta do lápis. Tem que pagar o aluguel, a alimentação, a água, a luz. E a diferença do custo de vida de uma cidade pequena para Salvador é grande. Hoje, eu pago tudo que devo, mas não sobra muito para fazer outras coisas”, comenta Alban. Com a mudança definida, agora Alban já fala na próxima realização: fazer a faculdade. A solução já estudada é trazer mais uma pessoa para o apartamento e diminuir as despesas.

Domingos concorda com a estratégia: ter um sonho e se planejar financeiramente para torná-lo possível. Para ele, não há uma data certa para sair de casa, mas esta saída pode até acontecer com o jovem aumentando o seu padrão de vida. “Quando ele tiver constituído uma reserva financeira, acredito que ele esta apto”. O educador lembra outra mudança com a saída da zona de conforto: o jovem não vai achar mais nada pronto e este tempo, que será gasto, também custa dinheiro.

Deixar os pais: decisão precisa ser saudável
Na hora de decidir sobre a saída de casa, Rodrigo Guimarães, psicólogo, professor da Universidade Salvador (Unifacs) e diretor do Instituto Baiano de Análise Comportamentais (IBAAC), sugere que o jovem faça as seguintes questões: como é que funciona a relação desta pessoa com a família? Quais são as razões? É por que a relação já está insuportável? Para Guimarães só com estas respostas é possível identificar se esta é uma decisão saudável, ou não.

Muitos jovens também optam por dividir o apartamento, para, consequentemente, dividir as despesas. Para o psicólogo, esta relação já começa errado. “O certo seria dividir porque a pessoa quer uma companhia, gosta de morar com o companheiro (a) que escolheu”, alerta Guimarães. Sobre este aspecto, o psicólogo volta para a questão inicial: “então, por que sair de casa se o jovem não tem condição de se sustentar sozinho”, ressalta.

Guimarães ainda lembra que do mesmo jeito que alguns jovens se sentem desconfortáveis na casa dos pais, há os casos opostos. “Pode ser muito confortável também. Tem jovens que ganham de R$ 4 mil a R$ 5 mil por mês, não pagam nada em casa, não fazem um investimento”, o que o psicólogo considera uma opção equivocada do jovem e dos pais que permitem este comportamento. Para ele, não há uma vida própria  para este adulto, que continua se comportando como adolescente, e não há uma independência emocional de nenhum dos lados.

Também é ressaltado que a juventude vive hoje com outras exigências sociais e do mercado de trabalho, o que justificaria a saída tardia do ninho. Guimarães lembra que estas “exigências” influenciam muito na decisão dos jovens de saírem mais tarde, já que assim é possível estudar para outros cursos, para a  pós-graduação, ou para o mestrado e efetivar outros investimentos na carreira com mais tranquilidade financeira.

“É diferente quando o jovem fica em casa, mas vai juntar dinheiro para comprar um apartamento, por exemplo. Se ele vai ficando em casa infinitamente, sem nenhum plano, já tem alguma coisa errada”, contrapõe o psicólogo. Para Guimarães, muitos pais também são responsáveis, quando tratam os filhos cheios de regalias e é confortável para eles não deixarem esta “zona de conforto”.

Saindo da Faculdade

Balanço – Antes de tomar qualquer decisão, saiba como estão suas finanças, montando um balanço patrimonial e a planilha de gastos

Renúncia – Cada escolha implica uma renúncia: leve em conta os custo de uma oportunidade na hora de tomar qualquer decisão importante

Gastos – Muitos dos gastos, neste período, ainda são por conta dos pais. Porém, quando ficar totalmente independente, terá que cobrir esses gastos com a sua própria renda e, mesmo com o hábito de poupar, talvez seja preciso apertar o cinto

Escolha – Junte toda a informação que puder antes de escolher o rumo a tomar em uma encruzilhada da vida e leve em conta tanto os critérios objetivos como os subjetivos para decidir o que fazer

Tranquilidade – Com a decisão tomada, veja o que é necessário mudar em seu orçamento e balanço patrimonial para manter a sua situação financeira tranquila

Poupança – Uma poupança modesta pode virar uma grande soma de dinheiro se for feita durante um longo prazo. Gastar R$ 100 a mais por mês, ou poupar para juntar cerca de R$ 200 mil em 40 anos?

Mudanças
– Se algo importante for acontecer na sua vida, como a entrada definitiva na vida adulta ou a chegada de um filho, reflita como esta mudança vai afetar suas finanças e ajuste suas contas com antecedência

Investimento – Uma ótima opção para investimento de longo prazo são os fundos de aposentadoria, mas lembre-se de estudar o mercado para escolher o melhor fundo. As diferenças de custos fazem que um investimento seja melhor que o outro.

Fonte: “Operação Pão de Queijo”, livro do autor Daniel Balaban

DICAS
Limites Planeje seus gastos para conhecer seus limites de consumo
Impulsos Controle seus impulsos de consumo
Padrão Não tenha um padrão de vida maior do que suas posses
Juros Não pague juros maiores do que os que recebe de investimentos
Índices Jamais despreze a inflação, saiba quanto está gastando
Poupança Não gaste a poupança que garantirá sua velhice
Investimentos Informe-se bem antes de investir
Pequenos gastos Jamais despreze pequenos valores
Negocie Jamais despreze uma boa negociação de preços
Compras Seja o mais objetivo possível na hora de comprar
Consumo Foque-se no que é necessário, pois as ofertas são muitas
Crédito Evite a todo custo pagar a parcela mínima do cartão de crédito
Família Tenha uma conversa com sua família, sobre a situação financeira

 

Fonte://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-2/artigo/financas-pessoais-quando-vale-a-pena-sair-de-casa/

 

O livro O Menino Do Dinheiro, disponível na Loja Virtual do Instituto DSOP de Educação Financeira é a melhor forma de fazer os jovens crescerem financeiramente saudáveis.