O Programa de Educação Financeira, uma coleção de quatro livros cujo objetivo é ensinar crianças e jovens a poupar e a planejar seus gastos, já foi adotado por 240 escolas particulares e públicas

Fonte: Valor Econômico (SP)

 

Como a maioria dos brasileiros, a professora Lucimar Menezes só conhecia empiricamente a diferença entre querer e precisar, ser e ter. Mas a proposta pedagógica do Stance Dual, colégio paulistano bilíngue onde lecionou por quatro anos, ia além: a decisão era ensinar esses e vários outros conceitos a crianças de nove ou dez anos.

Um desafio e tanto para quem vive num país sem nenhuma tradição em Educação financeira em casa ou na Escola. A experiência, diz a professora Lucimar Menezes, não poderia ter sido mais enriquecedora.

“Ao convidar meus alunos a refletir sobre os bens de consumo apresentados num pôster e a identificar os que eram essenciais e os supérfluos, tive a grata surpresa de ver que, sim, crianças dessa idade conseguem identificar os produtos dos quais precisam e aqueles que simplesmente desejam ter”, diz a professora.

Os alunos, explica, listaram alimentos, medicamentos e itens de vestuário como essenciais – e também reconheceram que não é preciso ter um tênis da marca “x” ou tomar o leite da marca “y”.

Eles demonstram preferência por marcas e produtos dos quais os colegas falam ou exibem orgulhosos, como um troféu. “Mas ficou claro que entendiam que preferir não significa precisar.”

Para transmitir esses conhecimentos aos alunos, Lucimar contou com ajuda do Programa deEducação Financeira, criado em 1996 pela consultora Cássia D”Aquino e transformado há dois anos em uma coleção de quatro livros cujo objetivo é ensinar crianças e jovens a poupar e a planejar seus gastos. Em 14 anos, o programa criado pela especialista foi adotado por 240 Escolas particulares e públicas voltadas a todas as classes sociais.

Os livros permitiram a propagação do conteúdo, diz Cássia, autora também do livro “Ganhei um dinheirinho: o que posso fazer com ele?” Cada volume tem um manual para o professor, onde a especialista indica como tratar os temas e atividades para complementar o conteúdo, que é focado de maneira multidisciplinar em quatro pontos: como ganhar dinheiro, como gastar, como poupar e como doar tempo, talento e dinheiro.

Professora orientadora do ensino fundamental I e responsável pelo projeto de EducaçãoFinanceira nesse segmento no Stance, Luciana Lapa diz que o programa transcende os valores materiais e ajuda a formar cidadãos capazes de lidar bem com o dinheiro. “É uma proposta de reflexão, que os ensina a fazer escolhas, a ver que podem dar como presente coisas que não podem ser compradas, como o tempo gasto na produção de um desenho ou uma dobradura”, exemplifica.

Segundo Karin Cruz Lopes Arriagada, professora do terceiro ano do ensino fundamentaldo Miguel de Cervantes, colégio de São Paulo que também adota o programa, os conceitos são trabalhados em várias disciplinas. “Quando abordamos moedas e cédulas, por exemplo, trabalhamos também história e geografia”, exemplifica.

Outros aspectos como preços são discutidos por meio de atividades em que as crianças são orientadas a ver o que conseguem comprar com uma determinada quantia ou a analisar folhetos de promoções de supermercados para ver onde é melhor comprar, conta.

Com outra metodologia – a DSOP (iniciais de diagnosticar, sonhar, orçar e poupar), desenvolvida pelo educador Reinaldo Domingos -, o Colégio Encanto Juvenil, localizado na zona sul de São Paulo, também coleciona bons resultados.

De acordo com o diretor Jairo Rodrigo Lopes, o colégio introduziu a Educação financeira na grade curricular há dois anos. “O tema é apresentado a crianças a partir dos oito anos em aulas semanais de 45 minutos”, diz ele.

Idealizador da metolodogia DSOP, Reinaldo Domingos, autor dos livros “Terapia Financeira” (2007), “O Menino do Dinheiro” (2008) e “Livre-se das Dívidas” (2011) lançou este ano a coleção Educação Financeira dirigida para o ensino básico.

Composta por 15 volumes e adotada por cerca de 50 Escolas, a coleção estimula a adoção de pequenas atitudes diárias que levam as crianças a refletir sobre a utilidade do dinheiro, a identificar seus sonhos e a poupar para realizá-los. “Trabalhamos seis eixos: família, diversidade, sustentabilidade, empreendedorismo, autonomia e cidadania”, diz Domingos.

Capacitados pela editora, os professores são orientados a convidar os alunos para vários desafios, como o monitoramento da conta de energia elétrica e a produção de um projeto para reduzir o consumo.

 

Fonte: //www.todospelaeducacao.org.br/comunicacao-e-midia/educacao-na-midia/17542/mais-escolas-ensinam-a-lidar-com-o-dinheiro/