O cofrinho e a mesada ensinam as crianças a lidar com o dinheiro de forma responsável e visando objetivos

A educação financeira das crianças deve começar desde cedo e ser estimulada na escola e em casa. Para ensinar os filhos a lidar com o dinheiro no cotidiano, os pais podem usar de alguns artifícios. Presentear a criança com um cofrinho ajuda a ensinar como poupar. Oferecer uma mesada ou semanada, um valor que cubra as necessidades do filho durante um período (semanal ou mensal), ensina a administrar o dinheiro.

Moeda de troca

Algumas escolas já lecionam a aula de educação financeira com material didático especial para crianças a partir dos 3 anos. Mas não há uma idade certa para se introduzir o conceito em casa. “Os pais devem se atentar ao momento ideal, quando percebem que o filho passou a entender que pegando a moedinha ou a nota de papel ele pode trocar por aquilo que tem vontade, um doce, uma figurinha ou um brinquedo”, afirma o consultor e terapeuta financeiro Reinaldo Domingos, autor do livro “O Menino do Dinheiro” e criador do DiSOP, Instituto de Educação Financeira.

Sonhos dentro de um cofrinho

A criança é uma ótima receptora, que está disposta a se informar com muitas novidades. O cofrinho é um ótimo incentivador para que os filhos aprendam a importância de poupar desde muito pequenos. Para Domingos, eles aprendem brincando, mas os pais devem lembrar sempre que o dinheiro guardado no cofrinho tem um objetivo, para que a criança saiba priorizar os seus sonhos e objetivos antes de sair gastando.

“Um exercício interessante é quebrar o cofrinho no dia do aniversário da criança. Depois, os pais podem ajudar o filho a construir os montinhos de moedas e, então, ir questionando o que ele quer fazer com o dinheiro guardado, ajudando e orientando na aquisição dos desejos da criança. Quando todo o dinheiro for direcionado, os pais entregam um novo cofrinho, maior que o anterior e planejam juntos com o filho quais serão os próximos objetivos”, explica o educador financeiro.

Mesada ou semanada

O primeiro passo para os pais que tomam a iniciativa de dar dinheiro ao filho é definir qual a periodicidade – se mensal ou semanal -, o valor – ou seja, o limite que a criança irá administrar – e a finalidade, pois enquanto as crianças pequenas têm menos compromissos, mais gastos recreativos e com os lanches da escola, os maiores podem assumir responsabilidades como cursos e comprar roupas ou uma bicicleta, por exemplo.

Domingos observa que a mesada pode ter o aumento do seu valor gradativo, o que vai depender de conversas entre pais e filhos, apontamentos de novas necessidades e recursos. “Os pais devem acompanhar, criar uma planilha, e somar os gastos junto com a criança. Ensiná-la a se preocupar com o que gastou, mas também com o troco e o que guardou para poupar”, diz.

Consumo e investimento

A partir dos 6 ou 7 anos, a criança já pode participar do planejamento financeiro familiar e conversar sobre economia doméstica e consumo sustentável em casa. Um exemplo lúdico é associar a conservação dos iogurtes e congelados ao cuidado com a geladeira e o freezer, que não podem ser abertos de minuto a minuto e nem devem ficar com a porta semi-aberta, o que estraga os alimentos, aumenta o consumo de energia e por sua vez, o valor da conta de luz.

Esse momento é propício também para aplicar um novo conceito, o do investimento. “O filho aprende que aquele velho cofrinho pode passar a ser um cofrão, aquele da agência bancária, por meio da poupança. Ela aprende que além de poupar dinheiro, vai ganhar umas moedinhas a mais, os juros, que o banco vai depositar mensalmente, ajudando a crescer o seu montante. A partir dali, além dos pais, o banco se torna mais um aliado da educação financeira da criança”, comenta Domingos.

Adultos preparados

Para o educador financeiro, os benefícios da mesada são inegáveis: além de desenvolver o senso de responsabilidade, a administração pode ensinar o quanto pode ser difícil fazer o dinheiro render quando não se tem controle sobre os próprios impulsos de consumo.

Ainda segundo Domingos, a criança deve estar preparada para um mundo adulto que envolve principalmente marketing publicitário e crédito fácil, quando as escolhas ficam muito vantajosas com o parcelamento de prestações dos bens adquiridos. Com uma boa educação financeira desde cedo, os filhos ficam mais preparados para o universo do consumo, porque aprendem a lição mais importante: primeiro poupar para depois gastar.

Fonte: Arca Universal