IPVA, IPTU, matrícula e material escolar dos filhos são alguns dos itens que devem pesar mais no bolso dos chefes de família

Todo começo de ano é igual para algumas famílias: os gastos acumulados no Natal e férias somam-se às despesas típicas do início do ano. IPTU, IPVA, matrícula e material escolar dos filhos. Equacionar essa conta pode ser difícil. A seguir, leia as recomendações de especialistas em finanças pessoais para lidar melhor com as dívidas.

Pagar o vencido ou a vencer.

Normalmente, os juros que se paga nas dívidas são maiores do que os juros recebidos nas aplicações financeiras. Por isso, afirmam especialistas, a prioridade deve ser, sempre, a quitação da dívida.

“Pagar o vencido é quase sempre a melhor alternativa”, diz Mauro Calil, educador financeiro. “E depois, quando chegar as outras contas, deve se verificar o que é possível ser feito”, emenda. O educador salienta a importância de se programar para os gastos no início do ano. Ele lembra que é possível saber com antecedência qual será o valor dos débitos e, portanto, o planejamento para a quitação é mais fácil de ser feito.

IPVA e IPTU: pagar a vista ou dividir.

Especialistas são unânimes na recomendação de pagamento à vista dos dois impostos. Isso porque o desconto para a quitação de uma vez é significativo. “Pague sempre à vista e com desconto”, diz Reinaldo Domingos, autor do livro “Livre-se das Dívidas”.

Cada Estado, no caso do IPVA, ou cada município no caso do IPTU, tem um porcentual de desconto. Em São Paulo, por exemplo, quem pagar o IPVA à vista terá 3% de deságio. No IPTU paulistano o desconto é de 6%. Calil mais uma vez usa a lógica da rentabilidade dos investimentos para justificar a recomendação de pagamento à vista. “Vamos colocar como base a caderneta de poupança: você consegue lucrar 0,5% ao mês. Então, em três meses, que é o período que os impostos podem ser divididos,você lucraria 1,5%. Ou seja, o desconto para pagamento é mais vantajoso do que manter o dinheiro na aplicação”, comenta.

Economize no material escolar.

Mais do que pagar à vista, na compra do material escolar o mais importante é pesquisar para conseguir produtos mais baratos. Calil dá como exemplo o preço de uma simples borracha. “Quando for comprar uma borracha, você pode pagar R$ 2 ou R$ 0,50. Daí você vai dizer: poxa, mas R$ 1,50 de desconto? Isso mesmo. É um desconto de 75%. Que investimento paga isso?”

Fazer pagamento parcelado, se não houver incidência de juros, pode ser vantajoso. Mas coma quitação à vista, é possível negociar algum desconto.

Termine 2012 no azul.

Tomar de lição o que aconteceu no decorrer de 2011 para não repetir os mesmos erros no novo ano é a primeira lição dada por especialistas em finanças pessoais. “É preciso fazer o diagnóstico financeiro anualmente”, comenta Domingos.

Esse diagnóstico também é recomendado por Calil. Ele detalha que a avaliação deve ser feita para saber por qual ralo o dinheiro está indo embora. “Dessa forma você detecta se de repente é preciso reduzir o padrão de vida e, de forma mais modesta, viver melhor”, afirma.

Cancelar o cheque especial é outra indicação dada por Reinaldo Domingos. Além disso, reduzir o limite do cartão de crédito é prudente para quem está com dificuldades financeiras.

Fábio Moraes, diretor de Educação Financeira da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), comenta que o primeiro passo para evitar endividamento é ter controle sobre o dinheiro. “Isso envolve dois caminhos. Primeiro verificar um possível aumento de renda com uma mudança de emprego ou outra atividade que garanta uma renda extra; e segundo, avaliar os gastos do mês e classificar as despesas em essenciais ou supérfluas.”

Se sobrou dinheiro, invista.

Sempre que sobrar algum dinheiro, ele deve ser remetido a alguma aplicação financeira. Para quem está começando, a poupança é uma boa alternativa. “Os investimentos sempre obedecem alguns princípios de quantia financeira, prazo do investimento e objetivo”, salienta Calil.

“Se o prazo é curto, é melhor optar pela renda fixa. Se há prazo longo, daí sim opte por renda variável.”

FONTE: O Estado de S. Paulo