Dinheiro é, cada vez mais, assunto de sala de aula; livros e jogos ensinam a poupar e a gastar

 

Dinheiro é, cada vez mais, assunto das escolas. Mais do que somar, subtrair, dividir e multiplicar, as crianças têm de aprender a gastar e a poupar.
Desde 2010, quando o governo federal lançou a Estratégia Nacional de Educação Financeira, o número de colégios que incluem o tema no currículo vem crescendo. Em 2011, o programa do governo foi introduzido no ensino médio de 900 escolas públicas de diferentes Estados. O próximo passo é o fundamental. A BM&F Bovespa (onde se compram e vendem papéis que valem dinheiro, como as chamadas ações) prepara um livro para cada ano escolar.


Escolas particulares adotam métodos variados para ensinar a lidar com o dinheiro. Na Grande São Paulo, 150 delas seguem o Instituto DSOP de Educação Financeira. “O aprendizado vai muito além da matemática. Envolve mudança de costumes e é bom começar cedo”, afirma Reinaldo Domingos, presidente do instituto.

Saber a diferença entre “querer” e “precisar” é o primeiro passo para ser um consumidor responsável. Outra dica é guardar um pouco de todo o dinheiro que passar pela mão. “Quanto mais cedo a criança aprender a poupar para conquistar um objetivo, melhor”, defende a especialista em educação financeira Cássia D’Aquino.

A economia pode ser para comprar um brinquedo ou fazer um passeio, por exemplo. O que importa é aprender que economizar para realizar um desejo pode ser divertido. “Quem não sabe usar o dinheiro de forma inteligente acaba sempre com as mãos vazias”, ensina Cássia. Além da sala de aula, é possível aprender a usar bem o dinheiro em casa, com brincadeiras, jogos e livros.

Garoto economiza para comprar iPad
De peruca verde e megafone. É assim que Tomas Ralston, 12, atrai a atenção para sua barraca no mercado de produtos usados de que participa todo ano no colégio onde estuda, o Humboldt, em São Paulo. “Meus amigos acham que sou meio louco, mas dá resultado”, diz Tomas, que, no ano passado, ganhou R$ 350.
Ele usou o dinheiro para comprar jogos e brinquedos e ainda sobrou para colocar na poupança (jeito de guardar as economias no banco). “Deixo lá pra quando quiser comprar algo mais caro. É importante guardar.”

Na Escola Internacional de Alphaville, na Grande São Paulo, a educação financeira é tema da aula de matemática para estudantes de 11 a 13 anos, que devem estabelecer uma meta. “A minha foi guardar dinheiro para estudar em outro país daqui a alguns anos”, planeja Juliana Cruz Lima, 13. “Pedi para a minha mãe abrir uma conta no banco.”

Já o plano do colega de classe Pedro Pahl, 12, era mais imediato: comprar um iPad. “Guardei um pouco e, com a ajuda dos meus pais, alcancei a meta”, conta. Cássia D’Aquino diz que dinheiro “não é a coisa mais importante da vida”. “É um meio de conquistar alguns objetivos.”
(GH)

Fonte: //migre.me/9B4Fy