Embora figure entre os mais polêmicos itens comercializados pelas instituições financeiras, os títulos de capitalização ganham espaço entre os consumidores.


No primeiro semestre, o crescimento nas vendas foi de quase 20% em relação ao mesmo período de 2011, aponta a Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FenaCap). Educadores financeiros, no entanto, torcem o nariz para o produto e dizem que só vale para quem é adepto de sorteios.

O educador financeiro Reinaldo Domingos, da DSOP, afirma que os títulos de capitalização são indicados para quem gosta de concorrer a prêmios. “Trata-se de um misto de jogo e poupança, mas é preciso ficar bem claro que não serve como investimento”, observa. Domingos ressalva, no entanto, que pode ser uma maneira de guardar dinheiro de olho em premiações, com a possibilidade de receber parte do que foi pago ao final do período de vigência do título.

Para o educador financeiro Mauro Calil, títulos de capitalização não servem sequer para quem gosta de sorteios. “É melhor tentar alguma loteria”, fala. Segundo Calil, o crescimento do produto está ligado ao fato de que as instituições financeiras impõem metas de vendas a seus colaboradores, que acabam convencendo os clientes a comprá-lo. “Muitas vezes a correção não repõe a inflação”, diz o educador.

Marco Antonio Barros, presidente da FenaCap, discorda das críticas. Segundo ele, ainda há muita gente que critica porque acredita que são vendidos como modalidade de investimento. “Título de capitalização não é investimento, mas pode servir muito bem como instrumento de educação financeira, no sentido de ajudar o consumidor a criar uma cultura de poupança”, avalia Barros.

Segundo ele, a elevação de cerca de R$ 6,6 bilhões para R$ 7,9 bilhões na comparação do primeiro semestre deste ano com igual período de 2011 aconteceu principalmente porque há mais gente com acesso ao sistema bancário que busca na capitalização uma forma de dar os primeiros passos para poupar e ao mesmo tempo ter a chance de ganhar prêmios. “A modalidade incentivo, que dá direito a sorteios programados, é a que mais cresce”, afirma.

Norton Labes, presidente da Bradesco Capitalização, afirma que no primeiro semestre de 2012, a empresa comercializou 246 mil títulos por meio de seu site, volume 96% maior que no mesmo período de 2011. “Nossos produtos não são um investimento financeiro, mas uma forma de economia programada que proporciona chances de sorteio”, ressalta Labes.

O executivo informa, ainda, que o valor do título de capitalização contratado é devolvido com correção monetária ao final de sua vigência, “conforme as condições gerais estabelecidas para cada produto”.

A analista comercial Amanda Albuquerque, de 25 anos, optou por títulos de capitalização como uma forma programada de guardar dinheiro. “Todo o mês é debitado um valor, que talvez ou não guardasse se tivesse de depositar em uma poupança ou outra aplicação”, diz.

Ela conta que costuma se programar para usar o dinheiro guardado por meio dos títulos. “Me casei o ano passado e o dinheiro que retirei serviu para que pagasse o aluguel do meu vestido de noiva”, lembra.

A analista comercial conta que atualmente paga mensalmente dois títulos, de R$ 50 e R$ 100. “Pretendo usar o dinheiro que receber como parte da entrada de um automóvel e para uma lipoaspiração após minha gravidez, mas são projetos de prazos mais longos”, afirma ela.

Fonte://migre.me/aEFw0