As pesquisas mostram e o senso comum comprova: não são poucos os brasileiros que têm dificuldade para controlar as despesas e equilibrá-las com as receitas.


Mesmo quem não está endividado ou inadimplente pode encontrar muitos obstáculos na hora de colocar as contas no papel ou em uma planilha no computador – podem ser desde a simples preguiça de anotar tudo e acompanhar a evolução do patrimônio até a falta de conhecimentos básicos de matemática.

Há, ainda, quem pense que só ficando rico é possível ter sossego nas finanças. Ao contrário do que se imagina, ter uma vida financeira tranquila não é necessariamente sinônimo de riqueza: essa conquista vem, na verdade, de uma administração adequada dos valores que entram e saem da conta-corrente, o que está ao alcance de qualquer um que se disponha a encarar uma organização. E nada melhor que o mês de janeiro para começar.

Entre os especialistas em educação financeira, há variações entre os métodos de organização das finanças, mas todos partem de um ponto comum: é preciso registrar, com sinceridade, todos os gastos e ganhos por um determinado período, até que o trabalho tenha se transformado em um hábito. Esses registros servirão, depois que as contas tiverem entrado nos eixos, como um histórico importante para comparações e avaliações das mudanças necessárias.

Orçamento: o melhor começo.

Tudo começa com um orçamento – individual ou familiar, dependendo de cada caso. Tanto faz se ele é feito em um caderninho ou em uma planilha no computador, embora programas como o Excel ajudem muito na hora de cálculos e de cruzamentos entre receitas, despesas e sobras para investimentos. Mas a escolha sempre está ligada ao grau de familiaridade que as pessoas têm com a tecnologia. Quem não gosta de mexer no computador, por exemplo, vai ter um empecilho a mais para acompanhar o dia a dia financeiro e fazer planejamento se escolher montar uma planilha de Excel; é melhor que recorra a papel, caneta e calculadora.

Para o educador financeiro Mauro Calil, a organização parte de uma espécie de inventário de receitas e despesas. Ele divide os gastos de uma maneira diferente da tradicional “fixas e variáveis”: prefere separar entre despesas necessárias (onde entram itens essenciais como alimentação, moradia, transporte, vestuário e lazer básicos) e esporádicas ou por impulso (em que ficam os “exageros” e supérfluos). “Não é difícil, é trabalhoso. Mas a pessoa precisa insistir principalmente no começo para, ao fim de três meses, ter uma ideia clara de como andam as finanças”, afirma. Ele diz que depois de um intervalo de quatro ou cinco meses já é possível perceber mudanças na qualidade do orçamento. “Quando a pessoa nota os benefícios fica mais animada para de fato incorporar o hábito à rotina.”

O especialista dá algumas dicas importantes. “Ao montar o orçamento, deve-se evitar arredondamentos – os valores mais baixos e os centavos podem fazer muita diferença. Pedir sempre as notas fiscais, mesmo nos gastos menores, ajuda a colocar os valores exatos no controle de gastos”, recomenda Calil. Para dividir o trabalho de atualização da planilha, é interessante lançar os valores assim que estejam disponíveis (fatura de cartão de crédito logo que chega pelo correio ou pelo e-mail, por exemplo).

Como identificar os excessos

A educadora Bianca Fiori, da DSOP Educação Financeira, aconselha que o trabalho de organização comece por um relatório detalhado de despesas de um período de 30 dias. “Devem ser anotados todos os gastos mesmo, incluindo os cafezinhos no meio do expediente e até as gorjetas”, afirma Bianca. Segundo ela, o registro das despesas separadas por categorias facilita a visualização do destino do dinheiro. O ideal seria anotar, ou digitar, os gastos em folhas ou planilhas diferentes: todas as saídas com restaurantes em um lugar, as mensalidades de cursos em outro. “Isso facilita as somas e ajuda a pessoa a perceber onde está gastando muito e o que pode ser eliminado do orçamento”, observa. “No primeiro mês, o resultado desse exercício pode até chocar. Mas depois de algum tempo a pessoa se habitua com o controle. E, com o orçamento em dia, é possível pensar nos sonhos”, afirma, destacando as perguntas que a pessoa deve fazer a si mesma na hora de guardar o que sobrar para o sonho de consumo: o que eu quero? quando quero? quanto preciso guardar para conseguir? em quanto tempo?

Ferramentas gratuitas

Falta de informação ou orientação já não pode ser desculpa para se deixar o orçamento descontrolado. As empresas que trabalham com educação financeira e até instituições financeiras e entidades do mercado financeiro têm sites completos, e com ferramentas gratuitas, para ajudar as pessoas a organizar as contas. Esses portais na internet têm modelos de planilhas eletrônicas que podem ser baixadas sem custo ou que podem servir de base para a criação de uma planilha personalizada. Existem, ainda, testes de conhecimentos a respeito de finanças e também atualidades sobre orçamentos e investimentos. Apostam nesse canal de educação, além de empresas como Calil & Calil e DSOP Educacional, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a BM&FBovespa (veja nesta página os endereços de internet).

Quem se sentir mais confortável ou seguro com um auxílio personalizado, pode procurar um educador financeiro ou as palestras e cursos presenciais (ou online) disponíveis no mercado. O educador Calil, por exemplo, atende interessados em um encontro de uma a duas horas para análise da situação financeira, cobrando a partir de um salário mínimo pelo trabalho. Na DSOP, há os cursos pagos e o atendimento pessoal do educador Reinaldo Domingos, ambos com preços sob consulta, e algumas palestras gratuitas – como a que acontece todas as terças-feiras, voltada para a educação financeira de aposentados. Opções, portanto, não faltam para quem decidir encarar o desafio de terminar 2013 com a casa arrumada.

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