O dólar alcançou o maior em nível em quatro anos, fechando em R$2,20. Com a forte alta da moeda americana, os reflexos em nossa economia são diretos e, por isso, os consumidores brasileiros devem tomar cuidado com as compras e viagens, mesmo as que já estavam programadas.


Para as empresas e indústrias nacionais, principalmente as exportadoras, a alta pode ser positiva, pois favorece a competitividade das vendas externas, tornando-as mais baratas. Porém, para as empresas que importam, o custo só aumenta, consequência disso é o repasse para os produtos e os consumidores é que pagam a conta.

Assim, os reflexos para a população são grandes. Os preços que já estavam subindo pelo aumento da inflação, acabam sendo influenciados também pelo aumento do dólar, impulsionando ainda mais a alta de preços.

Cuidados com compras e viagens podem ajudar o consumidor a não ser engolido pela alta. Caso tenha planejado comprar algum produto importado, recomendo ficar atento e acompanhar a variação dos preços; caso não tenha urgência na compra, é interessante esperar até que a moeda abaixe e se estabilize.

Outro cuidado é com as compras externas com cartão de crédito, que, além do custo do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), também pagará mais pelo aumento na cotação do dólar. O caminho é evitar a compra a prazo com variação em dólar e, se possível, comprar somente à vista.

Para quem já havia planejado as férias ao exterior, é preciso muita atenção e, para tanto, aconselho a aquisição de um cartão pré-pago internacional, no qual já carregará em dólar aqui no Brasil para utilização. Lembro que essa atitude, certamente, evitará surpresas no retorno das férias, além da segurança que proporciona. Também oriento levar dinheiro em espécie, de 20% a 30% do total.

Então, é preciso elaborar um orçamento financeiro que contemple os gastos da viagem e, para que não seja pego de surpresa, tenha sempre 40% a mais de reserva para as férias. Caso não tenha planejado a viagem internacional, evite fazê-la nesse momento.

Combater esse problema é dever do governo, mas passa também pela mudança de hábitos e costumes dos consumidores. Tudo começa em casa, portanto, é hora de tentar trocar os produtos que aumentam com a alta do dólar e eliminar o que não agrega valor em prol de uma saúde financeira que contribua para a realização dos sonhos.

* Reinaldo Domingos é educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), autor de diversos livros sobre o tema.

Fonte: //www.portaldoconsumidor.gov.br/noticia.asp?id=24114