Depois de muita luta, finalmente as contas estão fechando. Você e seu marido começam a pensar em tirar as crianças da escola pública e colocá-las numa particular. Que conquista! Mas é preciso fazer essa mudança com planejamento.


Por maior que seja o sonho de oferecer uma educação de qualidade aos filhos, se a família entrar no vermelho, será ruim para todo mundo. “O correto é fazer uma mudança grande como essa estando com as contas em dia”, afirma a educadora financeira e assessora pedagógica Bianca Fiori. Outro ponto importante é escolher um bom colégio e ficar atenta para não estourar o orçamento com os gastos extras da escola. Preparamos um guia para você dar esse grande passo com tranquilidade.

Passo 1: pesquise

Planeje-se com pelo menos quatro meses de antecedência. Comece pesquisando as escolas do seu bairro para ter noção do valor que conseguirá pagar. “O preço médio das mensalidades no ensino infantil é de R$ 400 e no fundamental e médio, de R$ 600 a R$ 800”, diz Benjamim Ribeiro da Silva, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo.

Passo 2: organize-se

Prepare o orçamento para mais essa despesa. Segundo o consultor financeiro Guilherme Prado, é nesse momento que você deve mapear as contas e enxergar onde será possível poupar. “Se todos os dias você economizar R$ 15, em um mês terá guardado R$ 465”, indica Guilherme. Tente o seguinte:

– Divida as contas em “fixas” (aluguel, luz, água, supermercado) e “variáveis” (lazer, roupas e outros gastos que surgirem). E anote tudo que gastar.
– Analise quais são os maiores gastos e quais aqueles que podem ser cortados.
– Veja se dá para trocar alguns itens por alternativas gratuitas. Por exemplo: pegar medicamentos em farmácias populares, passear de fim de semana em locais públicos, fazer cursos de idioma pela internet…
– Dê um limite para cada uma das despesas e veja se o que sobra dá para os gastos com a escola. Cada família deve analisar suas prioridades.
– Planeje-se para pagar as dívidas antigas antes de o ano letivo começar e evite assumir novos financiamentos.

Passo 3: poupe

Com as contas mapeadas, a educadora financeira Bianca orienta a família a começar a economizar todo mês uma quantia similar à da mensalidade. Dessa forma, vai dar para sentir o quanto o novo gasto vai pesar, de verdade, no orçamento doméstico. Assim, quando o ano letivo começar, vocês também já estarão com uma reserva que poderá ser usada nos extras ou em imprevistos.

Como gastar menos com os extras?

Existem despesas extras numa escola particular que pesam no bolso. Material, uniforme, excursões, aulas de esporte… Cheque o que está incluído e economize no que der: escolha um colégio perto para não pagar perua, reaproveite livros didáticos e mande o lanche de casa. Pergunte o quanto a mensalidade aumenta entre uma série e outra. Muitas vezes, há um reajuste grande entre o ensino fundamental e o médio, por exemplo. Negocie descontos, tente bolsas ou até financiamentos escolares.

Atenção: escola paga não é perfeita!

Em dez anos, 1 milhão de alunos migraram para o ensino particular no Brasil. Mas é um mito dizer que escola paga é sinônimo de ensino perfeito. “Muitos pais ficam tão satisfeitos com a mudança, que nem sabem o que a criança está aprendendo na nova escola. É preciso se envolver na vida estudantil do filho, não importa se a reputação do colégio é boa”, diz Bianca. Quando visitar os colégios antes da matrícula, escute mais do que fale. Deixe que expliquem a proposta pedagógica. “Tente entender qual é o adulto que aquela escola pretende formar e reflita se está de acordo com o que você quer para o seu filho”, explica a pedagoga e assessora educacional Célia Godoy. “Observe também se os professores se atualizam e se há um trabalho coletivo entre eles.” E vá sem os filhos na primeira vez. Gostou? Aí, sim, leve as crianças – e escute também a opinião delas!

Fonte: //mdemulher.abril.com.br/familia/reportagem/educacao/planeje-o-futuro-do-seu-filho-750840.shtml