Emprestar dinheiro tem seu custo. Como há muitas opções de crédito no mercado – algumas disponíveis até para quem tem o nome sujo -, fica difícil decidir qual delas é mais conveniente.


Para ajudá-lo a escolher o empréstimo que melhor atende às suas necessidades, o site Prestum analisou, com a ajuda de consultores e educadores financeiros, as duas modalidades de crédito mais populares nos dias de hoje – o crédito pessoal e o cartão de crédito. Entenda como cada uma funciona e veja seus prós e contras.

Crédito pessoal

Os juros do crédito pessoal dos bancos são pré-fixados, isto é, vêm incluídos no valor das parcelas. Ao comparar suas taxas de juros com as do cartão de crédito, percebe-se que são bem menores. “O crédito pessoal, apesar de não ser ‘nenhuma maravilha’, é significativamente mais barato que o rotativo do cartão. Podemos dizer que usar o crédito pessoal sempre será melhor por causa do custo mais baixo”, comenta André Massaro, consultor financeiro e autor do blog “Você e o Dinheiro”.

Para se ter uma ideia dos juros do crédito pessoal, é possível consultar um relatório semanal do Banco Central com os valores cobrados por instituições financeiras de todo o Brasil. Para o período de 20 a 26 de setembro, por exemplo, a maior taxa de juros para o produto foi a do banco Daycoval, de 899,30% ao ano ou 21,15% ao mês. Já as menores foram as do BGN, de 13,18% ao ano ou 1,04% ao mês.

Para Reinaldo Domingos, escritor e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), caso você tenha perdido o controle sobre suas contas ou faturas do cartão de crédito, o empréstimo pessoal é uma alternativa. “O risco de usar o cartão de crédito está em perder o controle sobre os valores gastos e cair nas linhas de crédito das operadoras, que ultrapassam 230% de juros ao ano. Em caso de desequilíbrio financeiro, o mais interessante é pedir um crédito pessoal que não ultrapasse 3% ao mês.”

O Banco Central oferece um recurso online muito útil que ajuda você a conhecer os detalhes de um crédito pessoal: a “Calculadora do Cidadão”. Com ela, é possível descobrir o número de meses em que se quitará a dívida, saber a taxa de juros mensal que se está pagando, obter o valor das prestações e computar o valor total financiado.

Cartão de crédito

No caso de recorrer ao limite do cartão de crédito e não pagar o total utilizado, o consumidor brasileiro terá de arcar com uma taxa média de juros anual de 323,14% (12,77% ao mês) sobre o valor que deixou de devolver, de acordo com a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste).

O dado, proveniente de um estudo realizado pela instituição em junho de 2012, é uma taxa média baseada nos cartões das seguintes instituições financeiras: Itaú, Bradesco, Santander, HSBC, Banco IBI, Banrisul, Caixa Econômica Federal, Citibank, Losango, Panamericano, Banco do Brasil, Banco BMG e BV Financeira.

“Os juros do crédito rotativo (quando se paga o mínimo) são os mais altos do mercado”, ressalta Renata Pedro, analista da ProTeste. “Em nosso último estudo, vimos que é melhor contratar um crédito pessoal do que fazer saques com o cartão de crédito. Além de os juros serem muito maiores, o consumidor também paga uma tarifa a cada saque registrado. Cada instituição cobra um valor pela operação, que varia entre 5 e 40 reais.”

Conselhos de educador financeiro

Antes de fazer qualquer tipo de empréstimo, primeiro pense se você realmente precisa dele. “Se for para uma emergência, tudo bem, mas se for apenas para suprir instintos consumistas, é importante parar e refletir: ‘Será que realmente preciso disso neste momento?’ ‘Será que não seria melhor aguardar mais algum tempo e conseguir comprar esse produto à vista?”, recomenda o também terapeuta financeiro Reinaldo Domingos.

Se já estiver endividado, tente não fazer nada sem antes estudar a origem do problema, aconselha o educador financeiro André Massaro. “O primeiro passo – frequentemente negligenciado – é identificar o que causou a dívida. Muitas vezes, ela é o resultado de um determinado comportamento, e aí é essa a prática que precisa ser atacada. Do contrário, a situação de endividamento voltará no futuro.”

Depois, Massaro recomenda fazer um planejamento financeiro para pagar o saldo devedor e, em alguns casos, tomar algum crédito mais barato, como o crédito pessoal ou consignado [descontado na folha de pagamento]. “Assim será possível fazer aquilo que, no jargão de finanças, chamamos de ‘reestruturação’ da dívida – trocar uma dívida mais cara por outra mais barata.”

No entanto, sempre avalie antes o seu orçamento para identificar os gastos fixos do mês e evitar que a parcela do pagamento da dívida não comprometa mais que 30% da sua renda. “Identifique seus gastos fixos mensais como luz, água, telefone e escola, e então analise se mais uma parcela cabe no seu orçamento”, indica Renata, da Proteste. “Também é muito importante verificar o Custo Efetivo Total (CET) do empréstimo, porque nele estão embutidas todas as taxas e despesas relacionadas. A partir do CET, o consumidor pode descobrir qual crédito é mais vantajoso para ele. Quanto menor o CET, menor o custo.”

Fonte://www.prestum.com.br/infoprestum/guia/credito-pessoal-x-cartao-de-credito-quem-vence-essa-batalha