Começar o ano novo com as finanças “no azul” é o desejo de dez entre dez brasileiros. Mas, para isso, alertam os analistas, é preciso esforço.


Todo início de ano as despesas extras com impostos como IPTU, IPVA e matrícula escolar dos filhos podem consumir entre 30% e 40% do orçamento do mês. Quem não fez uma reserva financeira para esses compromissos é candidato a estourar o orçamento e iniciar 2014 com dívidas. Uma pesquisa da Confederação Nacional do Comércio (CNC) mostra que aumentou o número de famílias endividadas nos últimos 12 meses: eram 60,7% em dezembro de 2012 e agora são 62,2%.

– O ideal é pagar à vista os impostos de início de ano e aproveitar os descontos. Vale até resgatar os recursos da aplicação financeira.

Quem opta por parcelar impostos municipais ou estaduais também está pagando juro – diz o coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas, William Eid.

No Rio, o desconto para pagamento à vista do IPVA é de 10%.

O do IPTU, de 7%. O consultor financeiro Mauro Calil afirma que uma conta de juros simples comprova a vantagem de pagar de uma só vez. A taxa mensal da poupança é de 0,5%, sem a Taxa Referencial (TR). Em 12 meses, o ganho obtido é de 6,17%. A diferença para o desconto do IPVA é de 3,83% e do IPTU, de 0,83%: – É o chamado custo de oportunidade. Quem paga à vista sempre tem vantagem.

FUGIR DO CHEQUE ESPECIAL

O consultor Wilson Muller, do programa Vida Investe, da Fundação Cesp, recomenda que parte do 13º salário seja guardada para quitar à vista os impostos. Ele lembra, entretanto, que se a pessoa já estiver endividada, principalmente no cheque especial e no cartão de crédito, o 13º deve ser usado para “limpar” esses débitos: – São os juros mais altos do mercado. Uma dívida de R$ 1.000 se transforma em R$ 2.929 após 12 meses no rotativo do cartão de crédito, se nenhum pagamento for feito. O ideal é sair dessa ciranda financeira. E, se sobrar algum do 13º, é bom pagar pelo menos um dos impostos à vista e dividir o outro, de preferência com menos parcelas, evitando comprometer parte da renda no ano.

Uma outra alternativa para reduzir o buraco no orçamento é trocar dívidas no cartão de crédito e do cheque especial por empréstimos com juro mais em conta. A taxa dos empréstimos pessoais nos bancos é de 3,18% ao mês, bem abaixo dos 9,37% cobrados pelo cartão de crédito e 7,89% do cheque especial. O juro do crédito consignado também é um dos mais baratos, já que a garantia do empréstimo é o próprio salário do devedor. As taxas do consignado variam de 1,7% a 2,12% ao mês, segundo o Banco Central, o que dá um juro anualizado entre 22,4% e 28,6%, bem distante dos 192,94% do cartão de crédito e dos 148,76% do cheque especial.

Para chegar ao fim de 2014 com caixa para encarar todas as despesas extras, o ideal é começar a separar os recursos já em janeiro, recomendam especialistas.

É um compromisso difícil, que depende de planejamento, afirma Aline Rabelo, coordenadora do Investmania.

– É preciso fazer um diagnóstico do orçamento. E evitar compras por impulso e financiamentos muito longos, de até 48 meses no caso de veículos.

As pessoas se endividam porque a prestação cabe no bolso e chegam ao fim do ano com 40%, 50% da renda comprometida.

É um passo para a inadimplência – observa Aline, que afirma que um nível de endividamento tolerável fica entre 20% e 30% da renda.

Há alguns anos, a administradora Mariana Paschoal, de 37 anos, chegou a incorporar o limite do cheque especial ao seu orçamento. Para complicar, comprou um carro financiado.

Ela só saiu do vermelho quando deixou um emprego e usou a rescisão para tapar os buracos no orçamento. Hoje, não tem mais cheque especial por opção: – Hoje, tenho ao menos meio mês de salário guardado. E parte do décimo terceiro vai para as despesas extras do início do ano.

Para Reinaldo Domingos, presidente da DSOP Educação Financeira, a reserva do orçamento pode ser aplicada em investimentos de baixo risco, como poupança ou CDB de seis meses, que ofereça entre 85% e 90% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI): – O ideal é sentar com a família, discutir gastos, inclusive despesas com água, luz e telefone.

Fonte: //www1.fazenda.gov.br/resenhaeletronica/MostraMateria.asp?page=&cod=940275