Abrir um negócio e começar com sucesso é que muita gente deseja, mas é preciso ter a consciência de que qualquer passo a ser dado dentro dele será refletido na verba da empresa, portanto fazer uma análise financeira de fatos e projeções precisa ser uma atitude permanente por parte do empresário.


Segundo o educador financeiro Reinaldo Domingos, que também é presidente da DSOP Educação Financeira, Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e Editora DSOP, das empresas abertas no Brasil, grande parte delas acaba fechando por não ter sustentabilidade, portanto é preciso colocar no papel todo o dinheiro que será usado no empreendimento.

“A orientação mais adequada é buscar o máximo de informação sobre o negócio a ser trabalhado, entender sobre o mesmo e gostar do que vai empreender”, comenta ele.

De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Paraná (Sebrae) , a análise financeira possui pontos essenciais que jamais devem ser deixados de lado, são eles: investimento fixo, capital de giro, faturamento, custos variáveis, fixos, preço de venda, lucro operacional e demonstrativo de resultados.

Investimentos devem ser pagos sem dívidas

A abertura e o desenvolvimento da empresa devem ser pagos por ela mesma durante um período planejado. O mais adequado é que os investimentos fixos sejam minuciosamente previstos e que dívidas não sejam feitas, segundo Domingos.

“Conhecer o montante de dinheiro que será utilizado para o início do negócio e poupar até que tenha um bom capital para abri-lo é um dos requisitos básicos para o sucesso dele”, afirma.

Caso haja necessidade de financiamento, a indicação é buscar as instituições financeiras de fomento, conforme indica o Sebrae-PR.

Lucro realimenta capital de giro

Assim que a empresa abre as portas, já existem contas para serem pagas: fornecedores, funcionários, impostos, entre outros. É preciso ter verba para dar conta do recado, leia-se então capital de giro para manter a empresa de pé. Para evitar insuficiência desse recurso financeiro, o Sebrae-SP indica controlar as dívidas, minimizar custos, despesas, diminuir prazos de recebimento e de estoque, aumentar o período de pagamento, tentar reverter dívidas para o longo prazo e o essencial: lucrar, porque é isso que vai trazer mais capital de giro à empresa.

Ainda falando de capital de giro, Reinaldo Domingos acrescenta que o empresário deve lembrar que também existem as contas domésticas:

“É preciso ter capital de giro, isso significa ter dinheiro pelo menos para manter o negócio e também não esquecer de que terá que dar à família as condições básicas nesse período de investimento. Em nossa vida, fazemos escolhas a todo momento; quando decidimos por abrir um negócio, temos que nos conscientizar que alguns desejos imediatos deverão ser objeto de espera, assim, a priorização será por estabilizar o negócio e somente depois que ele for sustentável financeiramente é que retornará a uma vida normal”, comenta ele.

Ver de perto o que a empresa fatura

Na análise financeira, é preciso ver de perto as vendas que acontecem todos os dias e isso pode ser feito por meio de relatórios detalhados. Neles, dá para saber cada item comercializado, o preço de venda e de compra, impostos, comissões e tudo o que esteja envolvido nas vendas. Desse jeito, o empresário vai ter uma visão ampla do mercado em que atua e poderá conhecer o seu potencial de vendas e lucros.

Custos variáveis e fixos

Também é preciso conhecê-los e eles devem fazer parte da análise financeira. Custos variáveis é tudo aquilo que está diretamente ligado à quantidade de vendas, de produção ou prestação de serviços. Já os fixos são aluguéis, contas de luz, água, telefone, material de limpeza etc. Em ambos os casos, é preciso controlá-los para garantir o lucro.

Como precificar

Uma dúvida recorrente de quem vai abrir um negócio é o estabelecimento de preço e ele também faz parte da análise financeira. O Sebrae-PR informa que alguns pontos devem ser considerados, tais como observar a concorrência, o valor de compra do produto, os impostos que incidem sobre ele, os custos adicionais (embalagens, comissões, fretes etc), qualidade do produto em relação aos concorrentes. Além disso, cada negócio se enquadra de determinada maneira perante exigências das esferas municipal, estadual e federal, sendo assim, os cálculos de preço se diferenciam bastante.

Lucro operacional

Assim que todos os custos fixos e variáveis são pagos dentro de um prazo aparece um resultado, mais conhecido como lucro operacional. Desse, é preciso ainda deduzir o que foi investido. Ele fica exposto no demonstrativo de resultados.

Demonstrativo de resultados

De acordo com o Sebrae-PR, o demonstrativo de resultados é o principal meio de gestão financeira de uma empresa, porque ele revela o quanto o negócio caminhou no sentido financeiro, demonstrando lucro ou prejuízo. Desse jeito, dá para fazer ajustes necessários e trazer outros resultados. Tudo o que envolve a verba da empresa precisa entrar na planilha, pois assim as informações serão mais precisas, o que tornará as decisões mais firmes e estratégicas.

Fonte: //br.financas.yahoo.com/noticias/como-fazer-uma-lise-financeira-seu-neg-cio-155300635.html