Como educador e terapeuta financeiro, afirmo que finanças pessoais e educação financeira são completamente diferentes; a primeira lida diretamente com números, cálculos e matemática, trata-se de uma ciência exata, já a segunda é uma disciplina ligada ao comportamento, hábitos e costumes, ou seja, ciências humanas. Ambos importantes em nossas vidas, quando o assunto é dinheiro.


É preciso quebrar esse paradigma que vem sendo objeto de muita confusão. Precisamos entender que saber lidar com contas, cálculos e matemática é, sem dúvida, muito importante, porém, saber utilizar as quatro operações básicas como ferramenta para controlar os ganhos e gastos, nada mais é que registrar o movimento financeiro. Há até pessoas altamente disciplinadas e organizadas, mas o resultado disso é apenas um registrou do que aconteceu. E eu pergunto: registrar e saber fazer essas contas, até hoje, resolveu o problema de desequilíbrio financeiro das famílias brasileiras? A resposta, como você já sabe, é não.

Educação financeira vai muito além de registros, estar educado financeiramente é saber o que fazer com o dinheiro, já ele é um meio para realizar sonhos e não um fim. É preciso entender que somente somos felizes em nossas vidas financeiras quando adquirimos os hábitos corretos em relação ao uso do dinheiro, quando o respeitamos e valorizamos. É só pensar no orçamento financeiro mensal que o brasileiro vem praticando ao longo das ultimas décadas: ganho (-) despesas = sobra (lucro) ou falta (prejuízo).

Olhando para esse orçamento, o mesmo está embasado na pura ciência exata e prioriza o consumo. Enxergar apenas os números não resolve, não muda comportamento e tão pouco nossos hábitos; é preciso muito mais, ter projeto de vida e entender que viemos à Terra para sermos felizes e autores de nossas vidas.

Quando falo em educação financeira, estou me referindo à priorização do dinheiro para atingir nossa prosperidade e ser feliz e, para tanto, criei um novo orçamento financeiro mensal: ganho (-) Sonhos (-) Despesas. Essa nova forma de proteger o dinheiro é de extrema relevância, já que somos movidos para o consumo não consciente e, o que é pior, mesmo não tendo o dinheiro para comprar, utilizamos o crédito fácil, que nos faz comprar aquilo que não sonhamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar, muitas vezes, quem nem mesmo conhecemos.

Para que nossa população realmente aprenda a melhor forma de utilizar o sagrado dinheiro que recebe, recomendo investir no conhecimento da educação financeira. Com 12 anos, realizei meu primeiro sonho: comprar uma bicicleta; aos 37, alcancei minha independência financeira e, hoje, acumulo mais de 40 anos de experiência em como lidar com o dinheiro e, com base nesses ensinamentos, materializei uma metodologia comportamental, a qual nominei de Metodologia DSOP Educação Financeira, presente em instituições do ensino básico e superior, empresas e lares.

Ressalto que, em toda essa história, me apoiei muito pouco nas ferramentas proporcionadas pelas ciências exatas, confirmando minha tese de que educação financeira está embasa em nossas atitudes, crenças e hábitos. Educação financeira, se praticada de forma correta, certamente, melhorará nossas principais saúdes – física, mental, espiritual e, claro, financeira. Pense nisso e faça uma boa reflexão, reúna a família e estruture seu projeto de vida. Não deixe para amanhã o que pode começar hoje. Deixo aqui uma pergunta para sua reflexão:

“Se você a partir de hoje não mais recebesse seu salário ou ganho mensal, por quanto tempo conseguiria manter seu atual padrão de vida?”. Se sua resposta foi “pouco tempo” ou “quase nenhum”, é preciso mudar. Reconstrua sua vida por meio da educação financeira.