Em reunião realizada no dia 02, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgou uma nova elevação da taxa básica de juros (Selic) da economia em 0,25 ponto porcentual, chegando à 11% ao ano, ficando até mesmo acima dos 10,75%, patamar vigente no início do governo Dilma Rousseff, em 2011.


Esses números são assustadores para quem está endividado ou precisará fazer empréstimos ou parcelamentos. Para esses, chegou a hora de acender o sinal de alerta, parar para ver o quanto de juros está pagando. Com certeza a falta de preocupação com esses valores poderá ocasionar sérios problemas com o efeito ‘bola de neve’ das dívidas e inadimplência no futuro, comprometendo as finanças das famílias.

Para reverter a situação, antes de mais nada, é primordial combater esse problema, descobrindo a causa desse endividamento. A maior parte é gerada por desequilíbrio financeiro, ou seja, gastar mais do que se ganha. É preciso reestruturar o orçamento financeiro ou assumir o controle dele.

O pagamento de juros deve ser evitado e, para isso, é preciso criar o hábito e costume de poupar antes de gastar. Quando entramos num endividamento, mesmo que com taxas de juros menores, gastamos mais dinheiro e, certamente, com isso, deixamos de realizar outros desejos e necessidades.

É preciso construir uma nova cultura com relação à administração de nosso dinheiro. Temos que aprender a evitar os impulsos e apelos do marketing publicitário e do crédito fácil, mesmo com a queda do juros, que é um grande incentivador do consumo. Cuidado para não comprar aquilo que não sonha, com o dinheiro que não tem, para impressionar pessoas que, muitas vezes, nem conhece.

Já, para quem não está endividado, mas quer entrar em uma linha de parcelamento, empréstimo ou financiamento, é o momento de pensar melhor antes de cair nesse rumo, já que o aumento da taxa de juros os deixa mais caros, forçando o consumidor a comprar menos e, com isso, evitando uma pressão inflacionária. As compras desenfreadas que as pessoas estão expostas atualmente tendem a reduzir.

Aplicações tendem a render mais

Por outro lado, a taxa de juros tem reflexo direto na poupança, sendo uma ótima notícia, para quem tem essa aplicação, pelo aumento da rentabilidade. O que ocorre é que, desde 2012, o governo atrelou as aplicações feitas na poupança, de 4 de maio de 2012 em diante, aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação mais a Taxa Referencial (TR), quando a taxa básica estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano.

Isso faz com que essa aplicação continue a ser interessante, se comparada aos rendimentos de outros fundos de renda fixa, já que na poupança pode-se sacar o dinheiro a qualquer momento e não se cobra taxa de administração e nem Imposto de Renda (IR).

Outro reflexo da elevação da taxa de juros é o aumento do rendimento das demais aplicações de renda fixa, quando essas estão atreladas aos juros, como é o caso dos CDBs pós-fixados, fundos DI e Letras Financeiras do Tesouro, vendidas via Tesouro Direto.

Mas a pergunta que muitos me fazem é se isso significa que devemos direcionar todos nossos recursos a essa aplicação. Não, na verdade, chegou o momento de uma análise aprofundada para quem for aplicar, definindo claramente os objetivos, e direcionando o dinheiro. Em uma primeira análise, posso afirmar que, para investimentos de curto prazo, é interessante colocar seu dinheiro nessa modalidade.

Reinaldo Domingos, educador financeiro, presidente da DSOP Educação Financeira e da Editora DSOP, autor do best seller Terapia Financeira e dos lançamentos Sabedoria Financeira e Papo Empreendedor.

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