O início do ano sempre é movido a gastos dos quais não se pode escapar na casa de muitas famílias


O início do ano sempre é movido a gastos dos quais não se pode escapar na casa de muitas famílias. Despesas com festas de fim de ano que precisaram ser parceladas encontram agora os novos custos de obrigações tributárias como o IPTU e o IPVA, e para aqueles que têm filhos, vem chegada a hora de explorar ainda mais a carteira com a lista do material exigido pelas escolas.

Para algumas mães, como a dona de casa, atualmente desempregada, Jussara Moura, a previsão não é das melhores, afinal é a escola do seu filho João Pedro, de nove anos, também teve reajuste, fazendo com que a todo o gasto fique por conta do seu marido. ”Não bastando isso, ainda temos os gastos de casa, como as contas de energia, que em dezembro e janeiro ficam mais caras, já que João Pedro está mais tempo em casa, de férias, jogando videogame”, observou ela.

Uma situação semelhante a da vendedora Patrícia Carvalho, que já começou a se preocupar com o material escolar do filho Kléber, de sete anos. Segundo ela, o orçamento da casa já começou a mudar desde o ano passado, com o aumento de despesas domésticas desde o ano passado. “Não é só conta não! Tudo ficou mais caro, quem faz mercado direto, como eu, sabe que teve aumento”, diz ela, ainda sem saber como vai equilibrar o orçamento para comprar os itens antes das aulas começarem, em fevereiro.

Mesmo com a evidente preocupação motivada pelo aumento de gastos – seja pelo valor dos itens, seja pelos outros fatores, como o aumento das despesas domésticas –, o educador financeiro Reinaldo Domingos explica que é possível fazer uma economia nos produtos que serão utilizados pelos pequenos durante o ano letivo. Se feito na medida certa, e com doação de tempo para por em prática as medidas, é possível economizar de 40 a 50% do que se gastaria normalmente com produtos escolares.

O primeiro passo, segundo ele, é dar uma olhada na própria casa, fazendo o resgate de tudo que pode ser reaproveitado. “É interessante ver, por exemplo, todos os materiais que o(a) filho(a) utilizou durante o ano anterior, observando, item por item, o que pode ser reaproveitado”, explica Domingos. Neste ponto, também podem ser achados os livros que foram utilizados pelo aluno, e que agora podem ser trocados por outros, já que, muitas escolas costumam trabalhar com parte do material didático de determinado ano letivo, por mais de uma vez.

Feito o reaproveitamento, é hora de fazer a pesquisa daqueles outros materiais que não puderam ser reciclados. Uma dica importante, segundo o educador, é pesquisar o preço dos produtos pelos sites das lojas, antes de sair para comprar. Além disso, não é recomendável levar as crianças juntos às compras, como forma de poder avaliar calmamente, os produtos mais econômicos sem sofrer influência dos pequenos.

“É bom frisar que os materiais com estampas de personagens de filmes, jogos, e desenhos animados costumam ser até 50% mais caros que os convencionais, e também são os favoritos dos pequenos”, explica Domingos. Para chegar a um consenso, a orientação é conversar calmamente com os filhos, explicando que a compra de um material mais em conta para a escola, pode servir para economizar, visando um presente melhor futuramente, como um novo brinquedo, ou uma nova atividade de lazer.

Fazer compras em conjunto com outros pais em locais de venda atacadista também pode ser uma boa forma de economizar nos materiais. “Os produtos vendidos em atacados normalmente possuem um preço mais em conta, barateando sua aquisição”, observou ele, que enfatizou a doação de tempo dos pais. “Todos esses meios para economizar, irão demandar tempo para conversas e pesquisas, por isso, é preciso que os pais e responsáveis compreendam que se eles não reservarem esse espaço de tempo, pode ser que a economia não seja tão grande”.

Procon alerta para cobrança abusiva de itens na lista

A compra dos materiais que serão necessários para o aprendizado das crianças e adolescentes durante o ano dificilmente é feita com o bom gosto dos pais. Afinal, não bastando a quantidade de itens que estão sendo adquiridos para serem usados durante todo o ano letivo, algum deles, como os livros, acabam saindo com o preço mais salgado, a depender do local onde seja adquirido.

Porém, cabe aos responsáveis do aluno observar também toda a lista do material solicitado pela escola, a fim de verificar quais deles terão o uso direto do estudante e do professor. A Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), alerta que, para ser solicitado, o produto não pode ser de uso coletivo – onde se encaixam também produtos como os materiais de limpeza e de uso administrativo.

O coordenador técnico do Procon-BA, Filipe Vieira, materiais de uso coletivo – a exemplo de resmas de papel, creme dental, canetas para o quadro, copos e talhares descartáveis, grampeador, ou papel higiênico – devem ser adquiridos pela própria escola. “Além deste, a escola deve fornecer antecipadamente o seu conteúdo programático de atividades pedagógicas para o ano letivo, e tirar as dúvidas dos pais a respeito de todo material adquirido”, explicou Vieira.

Outro fator levado em conta para a proibição de cobrança de itens como os materiais de limpeza, é que estes não serão manuseados pelos alunos, e por isso, integrando o custo empresarial das escolas. A exigência de uma determinada marca do produto solicitado também é considerada abuso, cabendo à instituição o direito de apenas sugeri-las.

Em vigor desde janeiro de 2014, a Lei 12.886 que proíbe a cobrança dos itens de uso coletivo também prevê multas às escolas que descumprem a medida em um montante de até R$ 6 milhões, a depender do faturamento da instituição.

Fonte://www.tribunadabahia.com.br/2016/01/06/com-volta-as-aulas-pais-buscam-economia-no-material-escolar