Ainda estamos na metade do segundo semestre do ano letivo, mas muitos pais já começaram a se movimentar para procurar o material escolar de 2017 dos filhos e negociar matrícula e mensalidades com a escola. Se o objetivo é economizar ao máximo e não passar aperto ao longo do ano, o período é bastante propício para encontrar produtos mais baratos.

A empresária Sandrine Gomes costuma se programar com bastante antecedência para comprar o que o filho, Arthur, de 7 anos, vai usar na escola. Assim que recebe a lista do material, ela faz cotações na internet e com o próprio colégio em que o filho estuda para escolher onde irá fazer as compras.

“Como recebemos a lista no final de dezembro, em janeiro começa a saga. Mas o material de uso pessoal antes da volta às aulas é sempre mais em conta. Cadernos, estojo, lápis de cor e tintas saem bem mais barato antes do fim do ano”, afirma.

Outra mãe que já está se organizando ainda este ano é Rebeka Abreu. Professora, ela conhece bem o universo escolar e sabe que precisa pesquisar muito antes de adquirir os produtos para o filho Theo, de 3 anos.

“No ano passado, comprei a lista toda em novembro, em uma loja só porque tinha crédito lá. Este ano, estou me programando para comprar também nesse período, mas desta vez vou fazer pesquisa em várias lojas”, explica.

Um das economias que ela já fez foi a mochila do garoto. Após procurar em diversos locais, encontrou uma mala de carrinho em promoção e economizou R$ 70. Ela também conta com a ajuda do marido para barganhar descontos na hora da matrícula na escola e nas mensalidades. “Ano passado, conseguimos uma promoção e tivemos desconto no começo desse ano. Se anteciparmos o pagamento, também temos desconto”, diz.

Rebeka acredita que, fazendo dessa forma, a família consegue poupar para os gastos que surgem sempre no começo do ano. “Mesmo se nosso dinheiro estiver curto, a gente tenta dar o melhor para o nosso filho.”

Entrevista – Reinaldo Domingos

A educação financeira ajuda muita gente a não cometer erros e se endividar sem necessidade. Em entrevista ao NE10, o educador financeiro Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) conta que os pais precisam respeitar sempre o padrão de vida que possuem para não assumir dívidas que não podem pagar. Confira abaixo:

NE10 – Que tipo de negociação os pais podem fazer durante a matrícula na escola?

Reinaldo Domingos – O importante sempre é ser sincero e respeitar o padrão de vida. Caso o(a) filho(a) estudou por anos na escola e os pais sempre pagaram direito, de repente, aconteceu algo que impediu que essa prática continuasse, é preciso marcar uma reunião com o(a) diretor(a) para conversar. Lembre o histórico, conte a situação atual e pergunte o que pode ser feito para que a questão da matrícula possa ser resolvida da melhor maneira para ambos.

Não é vergonha tentar outras possibilidades a fim de garantir um estudo de qualidade às crianças/jovens. Pode ser que consiga um desconto, um parcelamento ou até mesmo uma isenção. Nunca saberá se não tentar.

NE10 – Quem está inadimplente também pode negociar o valor da matrícula e das mensalidades?

R.D. – Com certeza. Precisamos ter em mente o seguinte: quem deve, quer pagar, e quem está sem o pagamento, quer receber. A negociação é válida e correta, afinal, a partir dela pode se resolver um problema que vinha “assombrando” ambas as partes envolvidas.

É sempre válido marcar uma reunião com a pessoa responsável por esse assunto na escola, ser franco(a), expor a situação, demonstrar interesse em quitar a dívida e já ir com a proposta, de acordo com as suas possibilidades financeiras.

Por isso, é de extrema importância que apenas tenha essa conversa após analisar as finanças, saber o que pode fazer para cortar gastos e começar a destinar uma quantia maior para pagar os débitos referentes à matrícula e/ou mensalidade. Caso contrário, irá fazer um negócio, comprometer um dinheiro que nem sabe se terá, podendo piorar não apenas a dívida em si, mas também a moral e a credibilidade.

NE10 – Vale a pena comprar o material escolar e outros produtos, como uniformes e mochilas das crianças, antecipadamente, antes mesmo de virar o ano?

R.D. – Antecedência é sempre algo bom, financeiramente falando. Quando se planeja, é mais fácil fazer tudo; se tem tempo para pesquisar, guardar dinheiro e, então, poder negociar um bom desconto à vista – e até conseguir parcelar esse valor à vista, quem sabe? Não custa tentar!

Dessa forma, não pesa no bolso, até porque, início do ano, por exemplo, é uma época complicada, pois junta tudo: IPTU, IPVA, matrícula e material escolar, mensalidade, e por aí vai. Será ótimo antecipar algumas coisas para dar uma desafogada nos compromissos financeiros. Mas sempre seguindo um planejamento, de acordo com suas possibilidades, não no impulso.

Dicas para conseguir economizar na compra do material escolar, segundo Reinaldo Domingos:

  • Respeite o dinheiro que se ganha, afinal de contas, você trabalhou muito para ganhá-lo.
  • Tenha em mente uma previsão de quanto poderá gastar, para que, quando for comprar, não fuja muito do valor pretendido.
  • Negocie sempre o preço dos produtos, não há vergonha nenhuma nisso, é uma prática normal.
  • Faça uma boa pesquisa, em diversos locais, tanto físicos quanto virtuais e compare;
  • Fale com outros pais e tente fazer a compra em conjunto, buscando preços e condições ainda melhores.
  • Dê uma boa analisada no material do ano que passou e veja o que pode ser reutilizado e reciclado. Para quem tem mais de um filho na mesma escola, os livros didáticos do mais velho podem ser passados ao mais novo.
  • É preciso ter em mente que o material escolar faz parte de um investimento que se está fazendo na educação dos filhos. Dá sim para economizar, mas não pode abrir mão de coisas importantes que possam comprometer o processo de aprendizado.

Fonte://noticias.ne10.uol.com.br/economia/noticia/2016/09/28/pais-ja-buscam-a-compra-antecipada-do-material-escolar-dos-filhos-640005.php