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Siga essas dicas e deixe de ser negativado de uma vez por todas

Encontrar obstáculos para pedir empréstimos, ter dificuldade na hora de parcelar as compras e nem pensar em conseguir o tão sonhado financiamento da casa própria. Ficar com o nome sujo na praça traz uma série de embaraços. Isso porque, sempre que você vai a uma loja comprar um eletrodoméstico ou ao banco para solicitar crédito, a empresa consulta o seu CPF nos principais cadastros de inadimplência do país (Serasa, SPC Brasil e Boa Vista SCPC). Se o seu nome está lá, a companhia provavelmente irá negar o serviço. Ninguém quer isso, não é mesmo?

As empresas enviam o nome do consumidor para esses cadastros de inadimplência quando ele deixa de pagar alguma conta, como a fatura do cartão de crédito ou o boleto da escola de inglês. De acordo com o Código de Defesa do Consumidor, no entanto, é preciso que as empresas avisem o consumir que seu nome ficará sujo antes de negativá-lo. A partir daí, o cliente tem dez dias corridos para pagar a quantia. “A comunicação tem de ser enviada ao consumidor para que ele possa tentar efetuar o pagamento ou renegociar a dívida”, diz Ione Amorim, economista do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Não pagou? Você pode ser negativado.

Consulte a situação do seu nome. Primeiro, você precisa descobrir qual é o seu status. “Muitas vezes a pessoa não sabe nem que está em dívida”, diz Raphael Salmi, gerente de recuperação de crédito da Serasa Experian. É possível fazer a consulta pela internet ou em um posto de atendimento dos cadastros de inadimplência. Não existe uma regra específica, então os cadastros disponibilizam os dados de maneira diferente. A Boa Vista SCPC e a Serasa permitem checar gratuitamente a situação do CPF na internet. Já no SPC a consulta gratuita só é feita presencialmente.

Faça um diagnóstico do seu orçamento. É preciso colocar na ponta do lápis não só todas as dívidas que você possui, mas também quais são suas fontes de renda e suas despesas. Pode parecer que não, mas é um passo importante. Não adianta ficar ainda mais endividado na tentativa de pagar outros débitos. “É uma conta bem simples, mas muitas pessoas não fazem”, diz Salmi. Com os números do seu orçamento em mãos, você saberá quanto pode poupar para conseguir sair das dívidas de forma tranquila. Pode ser o caso até de refazer o orçamento familiar, livrando-se de gastos desnecessários a fim de ter dinheiro para limpar o nome. “Anote tudo que você gasta durante um mês. No final desses 30 dias, avalie item a item. E pergunte-se: quais despesas eu posso diminuir?”, diz o educador financeiro Edward Cláudio Jr, diretor da Unidade DSOP ABC-SP. Ione Amorim, do Idec, recomenda nunca comprometer mais do que 30% do orçamento mensal com financiamentos.

Contate as empresas. Hoje, existem diversos canais de negociação com as empresas. Os cadastros de inadimplência costumam realizar feirões frequentemente em que é possível contatá-las pessoalmente. O ideal, segundo os especialistas, é mesmo fazer a renegociação da dívida direto com o credor. Mas há também empresas de cobrança que prestam serviços para esses credores. O Serasa oferece ainda o Limpa Nome Online, uma plataforma grátis em que é possível consultar a dívida e o próprio serviço já faz a intermediação com os credores.

Priorize as dívidas com juros maiores. Você tem mais de uma dívida? Tenha em mente que devem ter prioridade as contas de juros mais altos, como o cheque especial e o cartão de crédito. “Com uma taxa de juros muito elevada, o tempo vai passando e aquela dívida vira uma bola de neve”, diz Raphael Salmi. Para Ione, o cheque-especial só deve ser usado como um recurso realmente emergencial. “Utilizá-lo como complemento da renda é sinal de desequilíbrio financeiro”, afirma a especialista.

Tente conseguir o melhor preço. Os especialistas recomendam sempre tentar pagar à vista. Desse jeito, é possível obter um desconto maior. “Geralmente, você pode pagar algo bem próximo do valor principal que usou”, diz Edward Cláudio Jr. O consumidor não precisa aceitar a primeira proposta que o credor fizer. Defina até quanto você pode pagar, com base no seu planejamento, e faça contrapostas. A DSOP, especializada em educação financeira, recomenda levar documentos que comprovem ao credor sua real situação financeira. “É preciso ter certeza que você vai conseguir arcar com a dívida”, diz Raphael Salmi. “O planejamento inicial é o melhor caminho para descobrir isso.” Se não der para quitar tudo à vista, tente renegociar um parcelamento. As companhias têm interesse que a dívida seja sanada.

Fique com a menor dívida. Em alguns casos, um empréstimo pode ser a saída para quitar tudo de uma vez. Mas ele só vale a pena se tiver juros mais baixos do que se você parcelasse direto com a loja ou banco. “Você estará transformando uma dívida cara em uma mais barata. Exemplo: você tem uma dívida no cheque especial e, para pagar aquele débito, pega um empréstimo mais barato, como o crédito pessoal”, diz Raphael Salmi, da Serasa. O importante é sempre lembrar: não assuma compromissos que não poderá bancar mais tarde.

Em quanto tempo o nome estará limpo? Depois do pagamento da dívida, é bem rápido. O Código de Defesa do Consumidor determina que a empresa é obrigada a retirar o nome do consumidor da lista de inadimplentes em até cinco dias úteis após o cliente quitar a dívida ou pagar a primeira parcela da renegociação. “É importante ter feito o pagamento. Só o acordo não vale”, ressalta Raphael Salmi.

Não caia no mesmo erro outra vez. Encare o nome limpo como um recomeço. Vale pensar seriamente antes de assumir novas dívidas. Use a experiência de ter ficado negativado como uma aprendizagem. “É importante olhar para o seu histórico e ver onde errou”, diz Salmi. Edward Cláudio Jr., da DSOP, completa: “Não adianta fazer uma renegociação e continuar gastando sem controle”. Segundo ele, quem financia tudo realiza sonhos, mas muito menos, porque boa parte daquilo que gasta vai para pagar juros.

Fonte: //epocanegocios.globo.com/Dinheiro/noticia/2016/12/como-limpar-o-nome.html