O saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) dará um reforço de R$ 30 bilhões à economia e uma injeção de ânimo nos bolsos dos consumidores de todo o país. Esse dinheiro extra será motivo de comemoração para muitos brasileiros que já sabem o que fazer com ele. Outros, no entanto, ainda enfrentam um dilema: pagar dívidas e contas mensais, gastar com viagens, investir na carreira, fazer investimentos ou aplicar numa poupança? A resposta varia de acordo com a saúde financeira de cada trabalhador.

— Vale fazer um diagnóstico financeiro familiar, reduzindo os gastos mensais. Assim, a pessoa poderá usar a quantia da conta inativa de FGTS para construir uma reserva estratégica para o futuro. É importante ter o hábito de poupar para realizar sonhos — observou Reinaldo Domingos, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin).

Alexandre Lara, sócio da plataforma de renegociação de dívidas Kitado, lembra que esta pode ser uma oportunidade para renegociar prazos e juros com os credores.

— Caso haja um endividamento muito alto, há uma grande chance de renegociar o débito e, caso haja uma dívida menor em atraso, esta é a oportunidade de quitá-la. A atenção deve ser voltada para programar o pagamento, começando pela dívida que está ativa, como a do cheque especial ou do rotativo do cartão de crédito (quando o cliente paga apenas o valor mínimo da fatura mensal).

O conselho unânime dos planejadores financeiros é poupar ou investir o dinheiro em fundos de renda fixa ou títulos do Tesouro Direto. Para a consultora de investimentos Sandra Banco, da Órama, a aplicação dos recursos é melhor do que deixar os recursos parados na Caixa.

— Na conta inativa, o dinheiro é corrigido apenas pela Taxa Referencial (TR) mais 3% ao ano, um índice inferior ao da inflação. Para quem nunca pensou que pouparia fora da caderneta, esses nomes chegam a assustar. Mas esses investimentos mais rentáveis estão disponíveis a todos.

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Da quitação de dívidas à reforma do lar

A técnica de enfermagem Maria Aparecida da Silva, de 56 anos, pretende pagar uma dívida de empréstimo consignado. Serão cerca de R$ 6 mil. Com o que sobrar, ela deseja fazer uma obra e pintar a casa onde mora, em Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio.

Para o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, o ideal é que este valor seja destinado à finalidade original: complementar a aposentadoria num futuro próximo. Ele recomenda cuidado com as reformas, pois costumam levar as pessoas a uma situação de endividamento.

O taxista Marcos Paulo Alencar, de 32 anos, vai receber R$ 2 mil e pretende depositar o dinheiro na poupança, além de ajudar a pagar as mensalidades do financiamento do carro. Ele descobriu, por acaso, que teria direito ao saque do FGTS ao pagar uma conta.

O presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, afirma que é bom ter acesso a uma renda extra, mas a falta de objetivos pode levar aos gastos sem planejamento e ao desperdício. Portanto, é importante estabelecer os sonhos que deseja conquistar, seus objetivos e quando poderá realizá-los. Por fim, poupe.

O advogado Samuel Prazeres, de 59 anos, vai usar o dinheiro para pagar o IPVA e o IPTU. Além disso, pretende pagar o que deve do cheque especial. Se não houvesse toda essa movimentação de saque, teria deixado o dinheiro para o governo.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, não é recomendável usar o dinheiro para pagar IPTU e IPVA. Por ter juros altos, vale quitar o cheque especial. O ideal é que o montante seja usado para conquistar sonhos, como garantir uma aposentadoria sustentável ou fazer uma viagem.

A promotora de vendas Renata Martins, de 20 anos, tem uma conta inativa com um saldo de R$ 900 e faz planos de tirar seu nome de um cadastro de restrição ao crédito. A inclusão ocorreu por conta de uma dívida com cartão de loja. Com o que sobrar dessa operação, ela quer iniciar uma poupança.

Renata está de parabéns! Segundo o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, é ótimo usar o dinheiro para quitar uma dívida em atraso. Porém, se o débito for superior ao valor a ser recebido, é melhor não quitá-lo. Aproveite, para negociar com o credor a fim de conseguir desconto.

Fonte: //extra.globo.com/noticias/economia/veja-certo-errado-na-hora-de-aplicar-dinheiro-das-contas-inativas-do-fgts-20944974.html#ixzz4ZEaAzNGe