A alta do dólar e previsões sobre aumento dos juros afetam as operações das empresas de modo geral e podem ter impacto especial sobre as exportações do Estado e sobre a precificação dos produtos. Isso porque , se o dólar adotar novamente uma trajetória de valorização e o mercado interno intensificar a retração, as exportações podem ser estimuladas, avalia o gerente de desenvolvimento empresarial da Federação da Indústria do Estado (Fiepe), Maurício Laranjeira.

Alta do dólar

“As empresas podem precisar direcionar a sua produção para fora”, comentou. Um cenário de alta do dólar, contudo, desfavorece as importadoras. Como muitas indústrias precisam importar matéria-prima, a exemplo da farmacêutica, elas tendem a reduzir a essa compra que fica mais cara. Por consequência elas também podem diminuir a produção, acompanhando o desaquecimento do mercado, o que pode rebater diretamente na manutenção do nível de empregos. Na outra ponta, os efeitos desse movimento são produtos mais caros para o consumidor final. Por exemplo, como o trigo é importado, o pão fica mais caro.

Embora possa haver o favorecimento das exportações, o gerente executivo da Valexport – Associação dos Produtores Exportadores do Vale do São Francisco avaliou que o País precisa mesmo é de estabilidade. “A indefinição do cenário é muito ruim para o empresariado. O que precisamos é de estabilidade e de políticas de investimento de mercado”, comentou.

As exportações já seguem tendência de alta no País. Apenas em março, as exportações via Porto de Suape cresceram 206% no comparativo com o mesmo período do ano passado. As importações tiveram ganho de 17% no período. No primeiro trimestre deste ano, em comparação com o mesmo período de 2016, as exportações brasileiras cresceram 24,4%. Já as importações aumentaram 12%. Com o resultado da balança comercial, estima-se que o comércio externo brasileiro finalize o ano com um saldo positivo de US$ 50 bilhões.

Mercado

Os movimentos do mercado financeiro, em resposta aos últimos acontecimentos políticos, também podem trazer outras consequências. Reinaldo Domingos, doutor em educação financeira e presidente da DSOP Educação Financeira, aponta que o aumento do dólar gera inflação geral.

“O encarecimento dos produtos e serviços, por sua vez, diminui o poder de compra do cidadão”, aponta. Ele também diz que viagens ao exterior também ficam mais caras e aconselha: “no atual momento o consumidor precisa manter a cautela”.

Fonte: //goo.gl/ijy9jA