Em tempos de discussões sobre a Reforma da Previdência e incertezas do trabalhador sobre quanto tempo ainda falta para ele conseguir se aposentar, os planos de Previdência Complementar estão atraindo cada vez mais pessoas. Segundo a Federação Nacional de Previdência Privada e Vida, apenas no mês de fevereiro a captação líquida dos planos cresceu 54% em relação ao mesmo período de 2016.

Previdência Privada

Para além do pagamento mensal com foco na aposentadoria, há planos no mercado voltados para crianças e adolescentes, outros com vantagens exclusivas para mulheres e até opções com pagamento único, pensado para investidores. Os especialistas ouvidos pelo CORREIO destacam o que é preciso saber ao contratar um plano de previdência complementar.

Na avaliação do educador financeiro Reinaldo Domingos, a primeira coisa que as pessoas devem saber quando o assunto é previdência privada, é que esse é um tipo de investimento. “Trata-se de uma modalidade com característica de longo prazo, de preferência, mais de 10 anos”, diz ele. “Para saber qual o tipo mais interessante, a pessoa deve definir qual o objetivo para aquele recurso e o quanto é preciso guardar para alcançá-lo. No caso da aposentadoria, eu preciso buscar um rendimento que me dê uma reserva mensal do qual eu possa resgatar pelo menos metade todo mês para ter uma vida com independência financeira”, fala. O especialista reforça que há inúmeros produtos oferecidos no mercado e que o interessado deve pesquisar entre as opções disponíveis.

Quanto ao regime tributário, Reinaldo Domingos reforça que existem dois tipos de previdência privada: VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres) e PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livres). “A VGBL é a previdência que não tem benefícios fiscais tributários no Imposto de Renda de Pessoa Física. Já a PGBL dá o direito de, em cima do que foi contribuído no ano, deduzir no máximo 12% do valor, fazendo com que a pessoa pague menos imposto”, explica.

Rendimento

Outra questão que deve ser observada antes de escolher o plano, de acordo com o educador financeiro José Antonio Pizarro, é a remuneração de cada fundo que, segundo ele, deve ser igual ou superior ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). “É interessante também pedir o histórico de desempenho do fundo em questão, referente aos 12, 24 e 36 último meses. A rentabilidade passada não garante o futuro, mas é uma forma de avaliar a qualidade da sua gestão. É provável que ele continue tendo o mesmo comportamento”, analisa Pizarro.

Quem contrata também deve estar atento às taxas cobradas por cada plano de previdência privada. “Prefira opções que não cobrem taxas no ato do carregamento ou do resgate e busque também instituições que cobrem no máximo 1% de taxa de administração”, pontua. Confira no quadro ao lado simulações para diferentes contribuições mensais.

Começando cedo

Foi com os R$ 80 que recebia de mesada que a profissional de Marketing Fabiana Sabbag começou a pagar o seu plano de previdência privada, quando tinha 16 anos. “Eu tinha juntado uma quantidade de dinheiro que recebia dos meus pais. Cheguei no banco que tinha conta sem saber o que fazer com aquele recurso. Aí a minha gerente no banco me apresentou essa proposta de fazer uma poupança para um futuro distante, como uma poupança que eu não poderia mexer”, lembra ela, fazendo o investimento em segredo. Dois anos depois, o pai de Fabiana descobriu a aplicação e resolveu fazer um ‘upgrade’ do plano, ajudando a filha com metade do valor. “O plano então passou a ter uma contribuição mensal de R$ 300 e que vai até 2039”.

Avaliando hoje o investimento feito há 13 anos, Fabiana considera que foi uma decisão acertada. “Pelas condições atuais, é praticamente impossível se aposentar com o teto máximo. Já na previdência privada você contribui com um valor relativamente justo e tem a certeza de quando e quanto irá receber”, diz.

Complemento de renda

Foi do exemplo de dentro de casa que veio a motivação para a advogada Stephanie Mendonça buscar um plano de previdência privada. “Por ter se aposentado ainda nova, minha mãe não conseguiu pegar o teto do INSS. A empresa onde ela trabalhava tinha uma previdência privada pela qual ela já contribuía há mais de 26 anos e eu percebi que esse investimento seria positivo para mim também”, diz.

Stephanie contratou o plano no ano passado. “Na hora de escolher, pensei no valor que gostaria de receber e escolhi contribuir com R$ 150. É um valor acessível para mim e o montante que vou receber lá na frente é interessante”.

E se engana quem pensa que ainda é muito jovem para pensar em previdência. O defensor público Alan Araújo contratou um plano para a sua filha, hoje com um ano de idade, quando ela tinha apenas um mês de vida. “Tanto eu quanto minha esposa possuímos planos de previdência privada. Fizemos para nossa filha pensando em um planejamento financeiro para ela a longo prazo. Algo que pudéssemos começar a contribuir com um valor menor e que no futuro possa ser utilizado em despesas com a instrução dela”, diz. Araujo conta ainda que fez a portabilidade dos planos para outra instituição. “Encontramo uma outra instituição que pagavam mais em rendimento anual e tinham a mesma solidez e por isso resolvemos trocar”, explica.

Sopa de letrinhas: tipos de tributação

PGBL – Você pode deduzir, na Declaração do Imposto de Renda, os impostos pagos sobre a renda que foi poupada. Para isso é preciso declarar no modelo completo, limitado a 12 % da renda anual tributável. No resgate, o imposto será sobre o montante total resgatado.

VGBL – Você não pode abater ou restituir no Imposto de Renda do ano seguinte, por isso é indicado aos consumidores que utilizam o modelo simplificado de declaração de IR. No resgate, o imposto a ser pago será apenas sobre o lucro obtido no plano de previdência, e não no valor total.

Previdência Privada

Planos de Previdência Privada disponíveis

Banco do Brasil (Brasilprev) – Nos planos individuais, o valor mínimo mensal é de R$ 60 (VGBL) e de R$ 100,00 (PGBL). Para crianças e adolescentes há o Brasilprev Júnior, que traz o menor valor de contribuição do mercado:- R$ 25 por mês.

Bradesco – O participante pode fazer contribuições mensais ou esporádicas, a partir de R$ 50 e de acordo com sua disponibilidade, além de contribuições adicionais a qualquer momento para aumentar sua reserva. O banco também oferece um clube de vantagens para os segurados com benefícios e descontos em lojas e estabelecimentos parceiros.

Caixa – Há planos de previdência com contribuição a partir de R$ 35 por mês. Entre os tipos de planos há produtos de pagamento mensal, geralmente indicados para quem pensa na aposentadoria; produtos de pagamento único para investidores; produtos voltados para quem faz a declaração completa do imposto de renda; além de planos específicos para crianças e produtos com vantagens exclusivas para mulheres. Para contratar, o cliente deve ir à uma agência ou acessar a página da previdência no site.

Santander – O valor mínimo de contribuição é de R$ 30. É possível fazer uma simulação no site da instituição financeira em www.santander.com.br. Também dá para fazer um teste e identificar qual o seu perfil de investidor.

Itaú – O banco não ofereceu informações sobre os planos disponíveis.

Dica da semana: Plano de previdência

Planejamento – Pense no padrão de vida que deseja ter quando se aposentar e no que você tem feito para conquistá-lo. Garantir a sua tranquilidade e sustentabilidade financeira no futuro deve ser uma de suas prioridades hoje, em seu período produtivo de trabalho. Por isso, defina com quantos anos você deseja se aposentar e o quanto quer receber mensalmente. Neste valor, considere as prováveis despesas, as atividades que deseja fazer e os sonhos que deseja conquistar no período.

Quanto mais cedo, melhor – Pense em uma estratégia de acordo com o tempo que pretende poupar e mantenha a disciplina. Estude a melhor opção de investimento e aposte naquela que é mais adequada ao seu perfil. Entenda que para isso você precisa acumular um capital que renda o dobro do que deseja ter mensalmente.

Taxas – Fique atento à tarifação das taxas de Carregamento (sobre cada contribuição), Gestão (anual) e a de Saída (no momento do resgate). É importante levar isso em consideração quando buscar mais informações sobre os planos junto aos bancos.

Rentabilidade – É fundamental saber qual o montante final que o plano vai lhe oferecer, tanto na modalidade de resgate total como na de recebimento mensal (renda vitalícia). Procure saber, também, o percentual de rendimento líquido do seu pleno de previdência. Isso lhe dará condição de comparar com outras opções de investimento.

Tributação – A tributação Progressiva é mais indicada para quem vai fazer o resgate total ao final do plano e a Regressiva para quem vai receber os valores mensalmente.

Especialista recomenda resgate de recurso

Ao final do término do prazo de contribuição no plano de previdência privada, o contratante tem dois possíveis caminhos: o resgate do montante total e o recebimento da renda de forma vitalícia. Na avaliação do educador financeiro, José Antonio Pizarro, a melhor opção é resgatar esse valor para reinvestir. “Apesar da expectativa de vida estar aumentando, sugiro que a pessoa resgate o valor e não se aventure nessa fase da vida a novos negócios. A melhor indicação é que ela utilize o recurso para investir em títulos públicos e faça dele o seu planejamento financeiro”.

A opção de investir o montante resgatado em um negócio só deve ser considerada para aqueles que já o possuem. “Se eu já atuo naquela área há anos, tenho expertise e me falta capital para expandir, é um investimento válido. Nunca o beneficiário deve pegar esse resgate para se arriscar em um novo negócio no qual não tem experiência”, alerta o especialista.

O recebimento da renda vitalícia, continua Pizarro, não deixa de ser interessante. “Mas é preciso fazer um bom uso desse recurso. Deve ser uma complementação de renda para chegar na terceira idade de uma forma mais tranquila”. Segundo ele, essa pode ser a melhor opção para pessoas que não têm controle financeiro. “Por isso, para maximizar a aplicação desse tipo de recurso disponível, o resgate é mais interessante”, reforça.

Fonte: //goo.gl/GYytwi