O presidente eleito, Jair Bolsonaro, assinou no dia 1º de janeiro de 2019 decreto publicado em edição extra do “Diário Oficial da União”, que fixou o salário mínimo neste ano em R$ 998. O valor atual é de R$ 954. Assim, o novo mínimo teve reajuste de 4,6%.

O valor está abaixo da projeção, onde se esperava que o valor chegasse a R$ 1.006 e basicamente recupera as perdas inflacionárias, que segundo previsões deve ficar em 3,69% pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Mas o que esse aumento representa? De acordo com o presidente Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) Reinaldo Domingos, é hora de rever os gastos para adequar o novo valor ao orçamento familiar.

“Posso afirmar que a inflação real, que o trabalhador sente no bolso na hora que vai ao supermercado é maior que as observadas pelos institutos. Porém, por mais que o aumento não seja significativo, pode ser a oportunidade de colocar em dia as finanças e sair das dívidas, para quem se encontra nesta situação. E fica o alerta: não é porque ganhará um pouco mais que deve gastar em supérfluos, ao contrário, pode ser a oportunidade para começar a poupar para os sonhos de curto, médio e longo prazo”.

Reinaldo Domingos orienta que, por ser um valor baixo, as pessoas devem rever os seus padrões de vida e reduzir os gastos, já que o Brasil atravessa um momento de incertezas. “Sei que é difícil, mas era interessante que esse novo valor chegasse como um bônus para realização de satisfações pessoais no futuro, iniciando uma poupança. No entanto, muita gente aguarda ansiosamente aumentos para cobrir o desequilíbrio financeiro”.

Ele explica que o valor do aumento do mínimo é de R$44, o que multiplicado por um ano representa R$ 528 reais, sem considerar o 13º salário e as férias. Assim, se for possível poupar, essa deve ser a prioridade, pois terá os juros a favor.

Porém, o educador explica que isso é praticamente impossível para grande parcela da população que está endividada, nesse caso, uma estratégia para pagar esses valores deve ser prioridade.

“Só sabe quanto pode gastar, sem ficar no vermelho, quem sabe exatamente quanto entra e quanto sai do bolso mensalmente. E, com base nisso, define quanto e como pode utilizar o dinheiro. Mesmo quando é necessário entrar em um financiamento para a realização de determinados sonhos que não são acessíveis de outra forma, é importante avaliar se as parcelas, de fato, caberão no orçamento, levando em conta todas as outras despesas e demais sonhos de curto, médio e longo prazo”.

A dica é: antes de ir compulsivamente às compras com esse ‘extra’, faça um diagnóstico da sua situação financeira. Para isso relacione todas as despesas fixas e variáveis para descobrir o comprometimento dos seus ganhos com as dívidas; investigue para onde está indo cada centavo dos seus ganhos, pois só assim conseguirá saber quais são os gastos supérfluos que podem ser eliminados; verifique se está endividado, ou seja, se já tem mais despesas do que seu bolso suporta; certifique-se de que, mesmo estando no azul, vai conseguir pagar as compras que pretende fazer, somando-se aos gastos extras como impostos e escola.

“Felizmente, nem todos estão endividados. Quem está numa situação mais confortável, de equilíbrio financeiro, mas ainda não tem o hábito de poupar, pode aproveitar o aumento para iniciar uma reserva e manter essa prática. Para quem já tem perfil investidor, o aumento é a oportunidade para incrementar o investimento, destinado para alguma aplicação que a pessoa já possua ou planejar um salto em direção à sua independência financeira, investindo, por exemplo, em previdência privada”, finalizou o escritor, palestrante, mestre, educador financeiro e presidente da Abefin.