Mesmo com uma leve queda no mês de julho, as taxas de juros no cheque especial continuam exorbitantes. Segundo informações divulgadas pelo Banco Central (BC) nessa quarta-feira (28), o juro médio do cheque especial recuou de 322,9% em junho para 318,7% em julho de 2019. Por outro lado, houve uma alta de 6,1% no primeiro semestre deste ano se comparada a taxa de 312,6% no fim de 2018.

Cheque especial

Para o presidente da DSOP Educação Financeira e da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, o endividamento no cheque especial demonstra a fragilidade da educação financeira da população, que gasta mais do que pode, sem planejamento, e acaba não conseguindo honrar com seus compromissos financeiros.

“O mais preocupante é que muitas pessoas já contam com o valor do limite como parte de sua renda, o que leva a entrarem na famosa “bola de neve”, lutando contra os juros compostos”, avalia Reinaldo Domingos.

Confira sete passos para sair do cheque especial de forma definitiva:

1- Saiba o quanto você deve
Parece básico, mas muitas pessoas não sabem o tamanho de sua dívida, especialmente se além do cheque especial deve também no cartão de crédito, financiamentos, empréstimos, etc.

É apenas conhecendo a situação como um todo que poderá agir de forma assertiva.

2- Calcule o quanto você gasta
Faça um diagnóstico financeiro por 30 dias se tiver renda fixa ou por 90 dias se tiver renda variável, anotando todos os gastos, incluindo os menores, como gorjetas, cafezinhos e doces.

Somente assim saberá de que forma vem gastando seu dinheiro e o que pode reduzir ou cortar para sair do cheque especial.

3- Negocie a(s) dívida(s)
Se não está conseguindo pagar, após o diagnóstico financeiro você poderá tentar renegociar a dívida sabendo o quanto pode dispor por mês. Afinal de nada adianta fazer o acordo e não conseguir pagar as parcelas.

4- Procure juros menores
Se preciso, é válido buscar outra forma de crédito, com juros menores sabendo que trocar uma dívida pela outra nem sempre é a melhor alternativa. É claro que o crédito consignado, por exemplo, oferece juros mais baixos que o cheque especial, já que o pagamento é retido diretamente do salário.

Justamente por isso é preciso cautela, já que para quem já está com dificuldade em administrar as finanças, ter sua renda habitual reduzida pode desencadear novos endividamentos e problemas ainda maiores, virando uma bola de neve.

5- Não conte mais com o cheque especial
Para sair dessa situação de forma definitiva, tenha consciência de que o cheque especial não faz parte da sua renda. Cancele o serviço mantenha-se em seu verdadeiro padrão de vida.

Muitos acreditam que o cheque especial é uma segurança, mas, por fim, se paga juros altíssimos. Caso perca o controle financeiro, recorra imediatamente ao diagnóstico financeiro para combater a causa do problema.

6- Corte gastos e use rendas extras
Com base no diagnóstico financeiro, corte gastos desnecessários ou supérfluos. Antes de fazer qualquer compra, pergunte-se: “eu realmente preciso?”, “tenho dinheiro para pagar à vista?”, “conseguirei pagar a parcela daqui há três ou seis meses?’.

Ao receber rendas extras, como 13º salário, férias e comissões, planeje o uso consciente dando preferência para quitar dívidas conseguindo descontos.

7- Tenha sonhos e uma reserva financeira
Qual é a sua motivação para sair do cheque especial?

Resgate seus sonhos, aquilo que realmente deseja conquistar. Estabeleça pelo menos três (um de curto, outro de médio e outro de longo prazo), orce os custos e veja o quanto precisa poupar mensalmente para realizar cada um deles. Assim estará priorizando aquilo que tem verdadeiro significado em sua vida.

Crie também uma reserva financeira para situações emergenciais, como perda de emprego, problemas de saúde, dentre outras situações que necessitem de uma quantia que não era prevista. Assim não precisará recorrer novamente ao cheque especial.