Educação Financeira

Previdência Social: o fim é o melhor caminho?

O tema Previdência Social já caiu no gosto dos brasileiros, virou discussão em mesas de bar, jantares em família e, até mesmo, no futebol informal com os amigos. Enquanto uns defendem que há métodos alternativos para sanar o déficit econômico do INSS, outros defendem ferrenhamente a reforma da Previdência e clamam para que isso ocorra o mais rápido possível. Seja a favor, seja contra, fato é que a Previdência Social brasileira está falida, com um rombo de mais de 300 bilhões de reais previsto para 2019, segundo estimativa do Governo, fruto de má gestão administrativa ao longo de vários anos e de uma legislação ultrapassada que não leva em conta o gradativo aumento da expectativa de vida dos brasileiros.

Atualmente, são cerca de 33,8 milhões de brasileiros que recebem a aposentadoria e os benefícios do INSS, número este que tende a aumentar progressivamente durante os próximos anos, visto que a estimativa de vida vem aumentando ano após ano. Dados do Ministério da Saúde indicam que em 2030 o número de idosos no Brasil ultrapassará o total de crianças entre 0 e 14 anos de idade. Uma pesquisa do IBGE feita em 2018 vai ainda mais longe e estima que em 2060 um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos de idade.

Com ou sem a reforma, os cofres públicos não estão preparados para atender à crescente demanda de solicitantes aposentados da Previdência. Não basta apenas aumentar a idade para que o trabalhador possa se aposentar ou aumentar o valor da contribuição mensal, o país precisa de políticas públicas que sejam progressivas e que acompanhem o envelhecimento da população brasileira, sem prejudicar a qualidade de vida e sem “escravizar” o trabalhador.

Medidas para evitar o agravamento da atual crise precisam ser adotadas desde a infância, posteriormente com jovens adolescentes e assim sucessivamente, com intuito de preparar o cidadão brasileiro, educando-os financeiramente, para que tenham uma aposentadoria sustentável e não dependam única e exclusivamente da previdência, podendo assim manter seus padrões de vidas salubres sem que tenham suas reservas de dinheiro e seus patrimônios depreciados e, consequentemente, possam ter uma velhice mais tranquila e com menos preocupações financeiras.

Incentivos à previdência privada, investimentos de médio e longo prazo, educação financeira, entre outros, são alguns temas que ajudariam o brasileiro a entender melhor sobre a importância de se planejar financeiramente o mais cedo possível. Colocar a independência financeira como uma meta de vida e traçar um plano para uma aposentadoria sustentável seria um começo promissor para as pessoas que desejam se aposentar e não se preocupar com o dinheiro.

Não acredito na extinção da Previdência Social, tal como veiculam alguns blogs, movimentos políticos e a mídia sensacionalista, contudo, acredito que algo deve urgentemente ser feito para garantir o futuro de milhares de crianças e jovens brasileiros que atualmente não têm uma perspectiva de vida sustentável a longo prazo em relação ao seu dinheiro e que dependerão do governo para se manter quando a aposentadoria chegar. Acredito que o primeiro passo a ser dado rumo à conscientização da população brasileira sobre a importância do tema seja a Educação Financeira.

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