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Selic em alta é boa para investidores e ruim para endividados

Hoje o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve anunciar mais um aumento da taxa básica de juros (Selic) e a previsão é alta, devendo subir 1,00 ponto percentual, chegando a 6,25% ao ano (atualmente a taxa é de 5,25%). A resolução deve ser anunciada nesta quarta-feira (22). Em uma análise simplista se pode dizer que a mudança será preocupante para uns e interessante para outros.

Quem está endividado ou precisará fazer empréstimos e parcelamentos, o momento é de cautela. O primeiro passo é saber exatamente quanto está pagando de juros. Muitas pessoas não estão cientes desses valores e, por isso, acabam perdendo o controle de suas finanças, adquirindo mais dívidas e podendo até se tornar inadimplentes.

É claro que é preciso solucionar a questão dos juros, para que isso não acabe oferecendo consequências mais sérias. No entanto, para que o assunto não atrapalhe ainda mais a vida dos brasileiros, o caminho é combater a causa do problema, ou seja, educar-se financeiramente, fazendo um diagnóstico financeiro e assumindo de vez o controle das finanças.

A mudança de comportamento com relação ao dinheiro não muda da noite para o dia, por isso, é fundamental começar o quanto antes. Um dos hábitos a ser adquirido é o de poupar, pois, quando se guarda dinheiro antes de gastar, evita-se o pagamento de juros, e melhor, consegue fazer os juros trabalharem a seu favor, investindo o dinheiro em uma aplicação. 

Outro ponto importante é aprender a conter os impulsos consumistas e a não ceder aos apelos da publicidade e do crédito fácil. Esse aumento da taxa básica de juros até ajuda nesse aspecto, já que deixa os produtos mais caros, forçando o consumidor a comprar menos e, com isso, evitando uma pressão inflacionária. Agora, se, por um acaso, você não está endividado, mas está pensando em parcelar ou fazer empréstimo ou financiamento, é melhor pensar duas vezes. 

Por outro lado, para quem investe o seu dinheiro em aplicações de renda fixa atreladas a Selic – como, por exemplo, os CDBs pós-fixados, os fundos DI, as Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e os títulos negociados via Tesouro Direto –, a novidade é boa. Já aos que aplica na Caderneta da Poupança o aumento será bastante interessante, pois a regra do Banco Central prevê que quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, como deve ocorrer caso aumente apenas 1%, a correção anual da caderneta é 70% da Selic mais a Taxa Referencial (TR, que atualmente está em zero). Quando a Selic está acima de 8,5%, seu rendimento é fixo e igual a 0,5% ao mês mais a TR.

Reinaldo Domingos é PhD em educação financeira, apresentador do canal do Youtube Dinheiro à Vista, presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin) e da DSOP Educação Financeira e autor do best-seller Terapia Financeira e diversos livros sobre o tema e da primeira Coleção Didática de Educação Financeira do Brasil.


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