Redação do DIARIODEPERNAMBUCO.COM.BR
11/07/2011 | 08h53 | Economia

 

Nunca na história desse país (lembram?) os brasileiros compraram tanto, e por tabela se endividaram a perder de vista. A inadimplência cresce, a inflação ameaça os orçamentos e as pessoas ficam no vermelho. Como se livrar das dívidas, colocar as contas em dia, e claro, voltar a consumir de forma sustentável? Basta dar uma folheada no livro Livre-se das dívidas – Como equilibrar as contas e sair da inadimplência que o leitor vai encontrar o caminho das pedras. Pense que não existe uma fórmula mágica. É uma soma de força de vontade, renúncia, planejamento e principalmente, saber separar as dívidas de valor dos acessórios que só rendem dor de cabeça.

 

Autor do livro, o educador financeiro Reinaldo Domingos dá a pista no primeiro capítulo: quando me endivido para comprar a casa própria ou o carro adquiro uma dívida de valor, porque é um bem que vou usufruir no futuro. Quando vou ao shopping center e abuso do cartão de crédito me endivido sem um objetivo. “Nós não somos educados para priorizar o que é um bem de valor. O que corrói o orçamento do brasileiro é a dívida sem valor. Por isso a cada mês aumenta a inadimplência das famílias”, aponta.

 

Segundo o autor, o pecado mortal para entrar no caminho da perdição das dívidas é achar que o cartão de crédito e o cheque especial são extensão da renda. E o pior: em geral as pessoas pensam que só precisam pagar o que excede do limite de crédito. É onde mora o perigo porque se perde o controle do orçamento. Domingos avisa: “É necessário cuidar das dívidas sem valor para não perder um bem de valor, como a casa ou o carro”.

 

O educador financeiro ensina no livro que antes de comprar o imóvel é preciso levantar as despesas acessórias com os impostos e as taxas, o mobiliário, a decoração, o condomínio, entre outras. A mesma regra deve ser aplicada quando o consumidor vai adquirir um carro financiado em 60 meses. Não custa nada lembrar que o empréstimo não inclui os gastos com o IPVA, a matrícula, o seguro privado, e os custos com a manutenção do veículo.

 

São despesas fixas que se somam aos gastos com alimentação, educação, saúde, e os “imprevistos” do mês. Segundo Domingos, o resultado é que as contas não fecham e as pessoas são empurradas para a endividamento. “Elas acabam perdendo um bem de valor porque não se prepararam para a aquisição”. Esse comportamento leva à alta da inadimplência. “Hoje são devolvidos cerca de 100 mil carros financiados por mês no país. As pessoas devem tomar consciência do problema para fazer a dívida estruturada”, completa.

 

Uma dica da segunda parte do livro: para se preparar para uma dívida de valor, as pessoas devem aprender a se controlar na hora de gastar. O educador financeiro mostra que o apelo da publicidade, o crédito fácil e a ausência de educação financeira levam à facilidade da conquista. As pessoas se lançam às compras compulsivamente, minam a estrutura financeira familiar e são levadas à situação de desequilíbrio. Nessa hora, a única saída é renegociar as dívidas para se reestruturar e não jogar fora os bens de valor.

 

A terceira parte do livro é o tratamento de choque. Ensina o combate direto ao ciclo do endividamento. Domingos é contundente: “Como você pode ter três cartões de crédito com apenas uma fonte de renda? Ou pegar um empréstimo consignado para pagar uma dívida e comprometer até 30% do salário líquido?” O argumento é simples: se já não dava para viver com o salário integral, não vai dar agora com o desconto de 30% da renda mensal. O educador financeiro diz que às vezes é preciso dizer não ao credor, para dar a volta por cima. Por fim, respire fundo, e coloque em prática os dez mandamentos do livro para não voltar a se endividar.

 

Saiba mais:

Ciclo do endividamento

1 – Causas

Analfabetismo financeiro

Consumismo

Marketing publicitário

Crédito fácil

 

2 – Meios

Cheque especial

Cartão de crédito

Crediário

Crédito consignado

Empréstimos

Adiantamentos

Antecipação do IR

 

3 – Efeitos

Problemas conjugais

Problemas de saúde

Desmotivação

Baixa autoestima

Produtividade reduzida

Atrasos e falta no trabalho

 

Os dez 10 mandamentos para não se endividar

01. Fazer uma diagnóstico financeiro anualmente

02. Ter no mínimo três sonhos (curto, médio e longo prazos)

03. Elaborar um orçamento financeiro mensal

04. Poupar mensalmente parte do que ganha para os sonhos

05. Gastar menos do que ganha

06. Ter limites de cartão de crédito inferiores a seus rendimentos

07. Não usar cheque especial, se possível nem ter

08. Manter reservas para situações emergenciais

09. Distinguir o que é essencial do supérfluo

10. Comprar sempre à vista e com desconto

Fonte – “Livre-se das dívidas – Como equilibrar as contas e sair da inadimplência”

Por Rosa Falcão, do Diario de Pernambuco

 

Fonte: //www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20110711085319&assunto=69&onde=Economia